O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) homologou a situação de emergência por estiagem em Vila Rica, no nordeste de Mato Grosso, onde a falta de água afetou cerca de 11,6 mil moradores, segundo diagnóstico da prefeitura feito em setembro. O Decreto nº 2.308 foi publicado na quinta-feira (29), em edição extra do Diário Oficial do Estado. Ele confirma a emergência declarada pelo município no fim de setembro e tem validade de 90 dias, contados da data em que o desastre foi caracterizado, com possibilidade de prorrogação por mais 90.
Com a homologação, o estado reconhece oficialmente a crise. Isso permite que o município adote medidas excepcionais de resposta enquanto durar a emergência. Em 26 de outubro, Vila Rica já tinha obtido o reconhecimento federal, o que habilita a prefeitura a pedir apoio da Defesa Civil Nacional. O decreto estadual não anuncia repasse de dinheiro.
O retrato mais recente da crise é o diagnóstico que acompanhou o decreto municipal, assinado pelo prefeito João Salomão Pimenta no fim de setembro. Naquele momento, a represa que abastece a cidade operava com cerca de um quarto da capacidade habitual. A reserva estimada era de 60 milhões de litros, para um consumo de cerca de 2 milhões de litros por dia, com déficit diário de aproximadamente 500 mil litros. A prefeitura alertava que, se a seca durasse mais 30 dias sem chuva suficiente para recuperar a represa, o abastecimento corria risco sério.
O racionamento já durava mais de três meses. A água chegava às casas por cerca de quatro horas diárias, em horários alternados para os bairros dos lados leste e oeste da BR-158. Ao todo, 3,1 mil ligações eram afetadas: 2.913 residências, 179 comércios e oito indústrias.
Escolas, postos e o hospital também sentiram a falta de água. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, as escolas recebiam água uma única vez por dia, o que comprometia a higiene de alunos e funcionários. As Unidades Básicas de Saúde, o Pronto Atendimento e o Hospital Municipal tinham abastecimento insuficiente, o que, segundo a prefeitura, ameaçava as condições sanitárias e a continuidade do atendimento. Na zona rural, cerca de 30 hectares de agricultura familiar tiveram perdas, e o gado sofria com a falta de água e de pasto.
Os números de pessoas afetadas e as condições da represa são do levantamento de setembro. O decreto estadual não traz dados atualizados sobre o abastecimento na cidade.
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