Cinco dias depois de perder o segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse estar pronto para disputar de novo a Presidência da República antes de 2030. A declaração foi feita em vídeo publicado na noite de sexta-feira (30), gravado nos Estados Unidos, para onde ele fugiu depois de ser proibido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, de deixar o país. “Se preciso for, para disputar mais uma eleição para presidente da República, eu não estou falando de 2030 não, eu estou falando de antes disso”, afirmou.
O senador não explicou como isso aconteceria. Pela Constituição, a próxima eleição presidencial é em 2030. Uma votação antes disso só ocorre se os cargos de presidente e vice-presidente ficarem vagos ao mesmo tempo. Nesse caso, há eleição direta se a dupla vacância acontecer nos dois primeiros anos do mandato, e indireta, pelo Congresso, nos dois últimos.
A previsão de Flávio se apoia na economia. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de escolher entre medidas “muito radicais”, nas quais não acredita, e o cumprimento das promessas de campanha, que, na avaliação do senador, levaria o país a quebrar “ainda mais rápido”. “Infelizmente o Brasil está fadado a quebrar, e eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República muito antes do que muita gente imagina”, disse. Comparou o cenário ao do governo Dilma Rousseff em 2014 e 2015 e falou em uma “quebradeira generalizada”.
Na mesma transmissão, Flávio voltou a contestar a vitória de Lula, sem apresentar provas. Disse que o adversário fez “vários gols de mão” que “não foram anulados pelo VAR” e que jogou “completamente fora da legislação eleitoral”. Também afirmou que há resultados “matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real”, mas disse que vai detalhar essas afirmações em outro momento. “Eu perdi para o sistema, não perdi para o adversário”, declarou.
Lula foi reeleito no domingo (25) com 63,77 milhões de votos, 51,75% dos válidos. Flávio teve 59,46 milhões, ou 48,25%, uma diferença de 4,3 milhões. O TSE declarou o resultado às 21h10, e o senador não apresentou nenhum questionamento formal à Justiça Eleitoral até a publicação deste texto.
O senador citou como exemplos de punição por abuso de poder político e econômico as cassações de governadores do Rio de Janeiro e de Roraima, que, segundo ele, ocorreram “por muito menos”. Disse, porém, ter dificuldade de acreditar que algo será feito contra a chapa vencedora com a atual composição do STF e do TSE. Afirmou ainda que, enquanto não houver “mais camadas de segurança”, as eleições continuarão sob “o manto da desconfiança”.
Flávio usou os quase 60 milhões de votos que recebeu como argumento para continuar na liderança da oposição. “É uma honra que poucos no Brasil podem carregar, ser tão bem votado assim e sabendo que meus votos realmente vieram de eleitores reais”, disse.
O vídeo foi gravado num momento em que o senador é alvo de dois pedidos no Brasil. Deputados do PT pediram ao STF a prisão preventiva dele por descumprir a ordem de entregar os passaportes, e parlamentares do PSOL pediram ao Senado a avaliação da perda do mandato, que termina em janeiro de 2027.
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