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Cidades Segunda-feira, 02 de Novembro de 2026, 14:32 - A | A

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CONSULTAS PERDIDAS

Enquanto pacientes esperam vagas, quase 5 mil atendimentos são perdidos por faltas no SUS de VG

Três postos concentram 38% das ausências em seis meses; maioria das faltas é de manhã e entre pessoas de 15 a 34 anos

Da Redação

SecomVG

sus vg, pronto-socorro vg

Pacientes da rede básica de saúde de Várzea Grande deixaram de comparecer a 4.953 consultas e procedimentos agendados entre 1º de março e 31 de agosto de 2026, sem avisar as unidades. Os dados são do relatório de faltas do sistema e-SUS APS, do Ministério da Saúde, e foram divulgados nesta segunda-feira (2) pela Prefeitura. Das 29 unidades que registraram ausências, três responderam por 37,8% do total: Água Limpa, com 758 faltas, São Matheus II, com 605, e Manaíra, com 511.

Cada falta é um horário de médico ou de equipe que fica parado enquanto outros pacientes esperam vaga. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as ausências também interrompem tratamentos e acompanhamentos.

A manhã concentra a maior parte do problema. Foram 3.136 faltas nesse turno, 63% do total, contra 1.815 à tarde e quatro à noite. Para o coordenador da Atenção Primária, Marcílio Leite da Conceição Neto, o horário pesa. “Essa concentração no turno da manhã sugere dificuldade dos pacientes em conciliar o atendimento com a rotina de trabalho e com o transporte público”, avaliou.

Além das três unidades que lideram a lista, aparecem com número alto de faltas a USF Jardim União, com 381, e a USF Unipark, com 346.

O perfil de quem falta contraria a ideia de que os idosos são os que mais perdem consultas. As faixas de 25 a 29 anos (376 faltas), 20 a 24 anos (369), 30 a 34 anos (362) e 15 a 19 anos (355) estão no topo e, juntas, somam 1.462 ausências, 29,5% do total. Entre bebês com menos de 1 ano, foram 235 faltas. Entre pessoas com 80 anos ou mais, 104.

O secretário municipal de Saúde, Michael Alves, diz que o efeito é maior quando a vaga perdida é de consulta ou exame especializado, de média e alta complexidade, que costumam ter fila maior. Ele aponta ainda o risco para o próprio paciente. “Há o fator descontinuidade do cuidado médico. Essa interrupção pode agravar doenças, levando o usuário a buscar a automedicação ou lotar serviços de urgência e emergência”, afirmou.

A orientação da secretaria é que quem não puder ir à consulta avise a unidade com pelo menos 24 horas de antecedência. Com o aviso, a equipe consegue passar o horário para alguém da lista de espera ou para um paciente que esteja na unidade aguardando encaixe. O contato pode ser feito diretamente na Unidade de Saúde da Família de referência ou pelo agente comunitário de saúde do bairro.

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