A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajustou os coeficientes usados no cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas em todo o país. A nova tabela entrou em vigor nesta quarta-feira (30) e considera o diesel S10 a R$ 7,33 por litro, referência que pode aumentar o valor mínimo das contratações de frete para o escoamento da produção de Mato Grosso.
O reajuste foi estabelecido pela Portaria Suroc nº 22/2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União na terça-feira (29). O preço do combustível corresponde à média nacional apurada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre 20 e 26 de setembro.
Na atualização anterior, publicada em julho, a ANTT utilizava o diesel S10 a R$ 6,97. A nova referência representa aumento de aproximadamente 5,2%. A regulamentação determina uma revisão extraordinária dos coeficientes quando o preço médio nacional do combustível varia mais de 5%, para cima ou para baixo, em relação ao valor usado na tabela vigente.
A elevação de 5,2% do diesel não significa que todos os pisos de frete tenham subido no mesmo percentual. O combustível é um dos componentes do cálculo, que também considera custos fixos e operacionais do transporte.
IMPACTO NO TRANSPORTE DE GRÃOS
Para o transporte de granel sólido, categoria que abrange cargas como soja e milho, o coeficiente de deslocamento de uma composição completa com nove eixos passou de R$ 9,2231 para R$ 9,4318 por quilômetro. O custo de carga e descarga permaneceu em R$ 908,91.
Em uma viagem de 1.000 quilômetros, por exemplo, o piso dessa operação passa de R$ 10.132,01 para R$ 10.340,71, aumento de R$ 208,70, ou cerca de 2,1%. O cálculo é apenas ilustrativo e não inclui o pedágio, que deve ser acrescentado ao piso quando houver cobrança na rota.
O efeito é relevante para Mato Grosso, que utiliza o transporte rodoviário para levar soja, milho, algodão e proteína animal até terminais ferroviários, portos e centros consumidores. O reajuste altera o custo mínimo de operações sujeitas à tabela, principalmente nas rotas de maior extensão.
COMO O PISO É CALCULADO
O valor mínimo de cada viagem resulta da multiplicação da distância pelo coeficiente de deslocamento, acrescida do coeficiente de carga e descarga. Os números mudam conforme o tipo de carga, a quantidade de eixos e a forma de contratação.
Na modalidade de carga lotação com contratação da composição veicular completa, o coeficiente de deslocamento para granel sólido varia agora de R$ 4,1056 por quilômetro, em veículos com dois eixos, a R$ 9,4318, nas composições com nove eixos. O custo de carga e descarga vai de R$ 460,59 a R$ 908,91.
A portaria também traz tabelas específicas para operações em que é contratada apenas a unidade de tração e para transportes classificados como de alto desempenho. Há valores diferentes para carga geral, granel líquido, carga frigorificada, contêineres, produtos perigosos e granel pressurizado.
O piso representa o valor mínimo obrigatório para as operações alcançadas pela política nacional de fretes. Transportadores e contratantes podem negociar valores superiores conforme as condições de mercado, o percurso e as particularidades do serviço.
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