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Jurídico Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026, 17:04 - A | A

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ORIGEM NÃO REVELADA

Réu que prometeu "bomba" no júri de Zampieri confessa e não entrega nomes

No segundo dia de júri, Antônio Gomes da Silva disse que agiu por conta própria; dono da arma alegou que estava em Cuiabá para uma prova de tiro

Rojane Marta/Fatos de MT

Fotos: Josi Dias/TJMT

Antônio confessa ter matado Zampieri, mas nega ordem e pagamento pelo crime

Antônio confessa ter matado Zampieri, mas nega ordem e pagamento pelo crime

Antônio Gomes da Silva confessou aos jurados, nesta quarta-feira (30), que matou o advogado Roberto Zampieri, mas negou ter recebido ordem ou dinheiro para isso. No segundo dia do julgamento no Tribunal do Júri de Cuiabá, ele disse que agiu por conta própria, por considerar a vítima corrupta, e respondeu apenas às perguntas dos próprios advogados. "Um corrupto eu mandei para o inferno", afirmou. Zampieri foi morto com cerca de dez tiros em 5 de dezembro de 2023, ao sair do escritório, no bairro Bosque da Saúde, na Capital.

A versão de quem agiu sozinho tem uma lacuna que o próprio réu abriu. Antônio contou que, ainda em Belo Horizonte, recebeu uma fotografia de Zampieri acompanhada da informação de que se tratava de "um cara corrupto de Cuiabá". Não disse quem mandou. Também se recusou a falar dos outros dois acusados que dividem o banco dos réus. "Não vou acusar, dar nomes, não. Cada um faça a sua defesa", declarou. Perguntado sobre o que sentiu depois dos disparos, respondeu: "Missão cumprida".

A expressão já havia aparecido no plenário na terça-feira (29), no primeiro dia do júri. O delegado da Polícia Federal Marco Bontempo relatou que a perícia encontrou, na galeria de fotos de celulares dos acusados, capturas de tela de mensagens com os textos "missão cumprida" e "iniciando plano de fuga". Ele citou ainda um depósito de R$ 60 mil em espécie feito em Rondonópolis depois do crime.

Para o Ministério Público, não houve ato isolado. "Essa organização foi contratada para matar Roberto Zampieri, e foi isso que fez", disse o promotor Samuel Frungilo. A denúncia atribui a Antônio os disparos, a Hedilerson Fialho Martins Barbosa o fornecimento da pistola e a intermediação, e ao coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas o financiamento. O promotor Vinícius Gahyva Martins afirmou, antes da sessão, que os mandantes não estão entre os julgados agora e responderão em outro júri. Ele classificou os ataques à vítima feitos pelas defesas como retórica "a serviço da injustiça, da impunidade".

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Hedilerson foi o segundo interrogado. Dono da pistola 9 milímetros usada no crime, confirmou que estava em Cuiabá na época, mas deu outro motivo para a viagem. "Eu vim fazer uma prova de tiro. Eu vim fazer uma prova de tiro interestadual", disse. Ele se apresentou como instrutor de tiro, afirmou que a participação em competições é exigência para manter o registro das armas e contou que conheceu Antônio em um clube de tiro, em Minas Gerais.

A defesa do coronel concentra a estratégia em falhas da investigação. O advogado Jayme Carvalho sustenta que a polícia escondeu a prisão de um homem com as mesmas características físicas do atirador, e a advogada Sarah Quinetti questiona por que uma mulher presa durante o inquérito não foi denunciada. Na terça-feira, em resposta a ela, o delegado Nilson Farias, da Polícia Civil, admitiu não ter prova suficiente de que o coronel pagou pelo crime. "Financiador não tenho certeza", declarou.

O julgamento é presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge. Seis testemunhas foram ouvidas no primeiro dia, e acusação e defesas abriram mão das demais, o que antecipou os interrogatórios. Antes da sessão desta quarta, o advogado de Antônio, Nilton Ribeiro, havia prometido que "a bomba vai estourar". O réu, porém, não apontou nomes.

 

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