Quatro dias depois de o professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, sair de casa em Várzea Grande e não voltar, a família já fala nas duas possibilidades. "A gente espera que, vivo ou morto, a gente encontre ele e também a pessoa que fez isso com ele", disse o irmão, Bruno, em entrevista nesta quarta-feira (30), dia em que parentes, amigos e moradores fizeram um ato público na Avenida Leôncio Lopes de Miranda para pedir informações. Breno foi visto pela última vez na noite de sábado (26), quando subiu na garupa de uma motocicleta no bairro Capela do Piçarrão.
A moto não tinha placa, e é esse o obstáculo que Bruno aponta. "A pessoa veio sem placa, então torna mais difícil", afirmou. Ele disse que o ato não é uma cobrança contra a polícia. "O que a gente quer mesmo é visibilidade, já que a gente acredita que a polícia está intervindo. A gente tem essa esperança." A família pede que se manifeste quem viu o professor naquela noite ou tenha qualquer pista.
O celular de Breno deixou de ser fonte de informação. Bruno contou que o histórico do WhatsApp foi apagado e que a última mensagem daquele dia é dele próprio. Desde então, só chegam ao aplicativo recados de solidariedade. "A pessoa realmente apagou tudo e não deixou nenhum vestígio para a gente poder pelo menos lutar para saber", disse. Ao Instagram do irmão, ele afirmou não ter acesso.
Em casa, a rotina parou no quarto que os dois dividem. "Acho que eu já chorei tudo o que eu tinha para chorar. A minha maior dificuldade é entrar no nosso quarto e estar ali. Eu não consigo dormir em casa", relatou. "Acredito que no momento a palavra seja anestesiado. Porque força mesmo eu não tenho mais."
Breno é professor em um centro municipal de educação infantil do próprio bairro e ex-aluno da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Câmeras de segurança registraram, por volta das 20h20 de sábado, o momento em que ele caminha com um capacete na mão, aproxima-se de um motociclista e sai na garupa. Segundo a família, o rastreamento do aparelho foi desativado depois disso, e mensagens enviadas do número dele chegaram a parentes em um estilo que não era o seu. O irmão já havia relatado que pediu uma foto e desconfiou que a imagem recebida tivesse sido produzida por inteligência artificial.
O caso está com o Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Na terça-feira (29), a Polícia Civil informou que várias pessoas foram ouvidas, que há equipes em diligências de campo e que as investigações estão em fase inicial, sem que nenhuma hipótese tenha sido confirmada ou descartada. Bruno reconheceu o limite do trabalho. "A polícia está intervindo da forma como pode, até porque não tem só o Breno desaparecido."
O ato desta quarta foi o segundo em dois dias. Na terça-feira, estudantes e professores fizeram uma caminhada no campus da UFMT, em Cuiabá.
A quem souber do paradeiro do professor, o irmão deixou um recado. "Tem uma família que está procurando o Breno, um irmão que não dorme mais, que não consegue viver. E que está de pé por ele, porque era isso que o Breno com certeza faria por mim", disse. "Independente se ele está vivo ou se não está, a gente quer poder descansar e seguir a nossa vida." Informações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia 197 ou ao Núcleo de Pessoas Desaparecidas, nos telefones (65) 3613-8777 e (65) 98173-0565.
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