O coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas negou aos jurados, na tarde desta quarta-feira (30), ter financiado o assassinato do advogado Roberto Zampieri. Último dos três réus a ser interrogado no Tribunal do Júri de Cuiabá, ele afirmou que os R$ 60 mil depositados em espécie em Rondonópolis depois do crime eram para a compra de uma caminhonete. O depósito é tratado pela acusação como indício de pagamento pela execução, ocorrida em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá.
Pela versão de Caçadini, o dinheiro saiu de Belo Horizonte e veio com ele para Mato Grosso, em viagem de ônibus, junto com equipamentos que pretendia vender. O negócio da caminhonete não se concretizou, disse, e o valor foi depositado em uma agência bancária por segurança. A movimentação havia sido citada no plenário na terça-feira (29) pelo delegado da Polícia Federal Marco Bontempo.
Questionado sobre um encontro em Rondonópolis em 20 de dezembro de 2023, quinze dias após a morte do advogado, o coronel confirmou ter estado com Aníbal, nome citado pela investigação na cadeia de contratação do crime. Atribuiu a reunião a motivos pessoais e comerciais. Negou que os dois tenham falado de Zampieri, de desembargadores ou de disputas de terra.
Caçadini declarou que não conhecia o advogado antes do crime. A foto de Zampieri morto encontrada em seu celular chegou, segundo ele, pelas redes sociais, acompanhada de outras imagens e de uma certidão de óbito. Sobre os demais acusados, contou ter conhecido Antônio Gomes da Silva em setembro de 2023, apresentado por Hedilerson Fialho Martins Barbosa, para uma reforma em seu escritório, e disse não ter mantido contato com eles depois.
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Os documentos apreendidos sobre o chamado "Comando C4" também entraram no interrogatório. O coronel os descreveu como parte de um projeto empresarial e de treinamento, abandonado mais tarde, e disse que o conteúdo se resumia a "exercícios hipotéticos".
Antes dele, Hedilerson, dono da pistola usada no crime e apontado pelo Ministério Público como intermediário, detalhou a própria defesa. Afirmou que a arma viajou de Minas Gerais a Cuiabá de forma regular, com autorização e despacho na Polícia Federal, para uma competição de tiro, e negou ter vindo entregar ou negociar armamento com Antônio. Disse que ficou hospedado com ele por não ter onde permanecer na cidade e que as fotos em que aparecem juntos são de encontros sociais, como um jantar. Negou as mensagens sobre o planejamento do homicídio.
Sobre imagens de homicídios encontradas em seu celular, Hedilerson respondeu que participava de grupos ligados a clubes de tiro, militares e forças de segurança, nos quais esse tipo de conteúdo circulava. Relatou ainda atuação em movimentos conservadores e em um grupo chamado Frente Patriótica, para o qual produzia vídeos e transmissões, com viagens pagas por apoiadores, e negou qualquer ligação dessas atividades com o crime. Chorou ao falar de casa. "Minha família está passando dificuldade, está passando fome", declarou. Contou que o filho não sabe da prisão e acredita que o pai está viajando.
As duas negativas se somam à de Antônio, que pela manhã confessou os disparos, mas disse ter agido sozinho, sem mandante nem pagamento. O Ministério Público sustenta o contrário: que os três integravam um grupo contratado para matar o advogado. Encerrados os interrogatórios, o julgamento, presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, segue para os debates e a votação dos jurados.







