Mato Grosso teve 117 quilômetros quadrados de vegetação nativa sob alerta de desmatamento em setembro e ficou em segundo lugar entre os estados tanto na Amazônia quanto no Cerrado. Os dados são do Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que identifica derrubadas por imagens de satélite para orientar a fiscalização ambiental, e foram divulgados na sexta-feira (9). Na porção amazônica do estado, os alertas somaram 59 km², atrás apenas do Pará. No Cerrado mato-grossense, foram 58 km², abaixo somente do Maranhão.
No Cerrado, o peso do estado é maior. Os 58 km² representam 22,9% dos 253 km² detectados no bioma em todo o país no mês, quase um em cada quatro quilômetros quadrados. O Maranhão liderou o ranking, com 81 km², e o Tocantins ficou em terceiro, com 38 km².
Na Amazônia, o Pará concentrou 177 km², cerca de metade dos 350 km² sob alerta em setembro. A fatia de Mato Grosso foi de 16,9%, e o Amazonas, terceiro colocado, registrou 51 km².
A área sob alerta na Amazônia cresceu 9% em relação a setembro de 2025, quando o sistema apontou 327 km². Mesmo com a alta, o resultado foi o segundo menor para o mês em dez anos. O Cerrado seguiu na direção oposta, com queda de 30%, de 360 km² para 253 km², um dos menores volumes da série iniciada em 2018.
Em agosto, a porção amazônica de Mato Grosso havia registrado 58 km² sob alerta, ante 98 km² no mesmo mês do ano anterior. Setembro manteve praticamente o mesmo patamar.
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, período usado como ciclo anual do desmatamento, os alertas na porção amazônica de Mato Grosso caíram 49%. No Cerrado do estado, subiram 40,5%. Os números constam do balanço do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com base no Deter. No mesmo intervalo, o Cerrado como um todo recuou 7,8% no país, para 5.119 km². Minas Gerais teve alta de 72,5%, e o Maranhão, de 2,1%.
Pelo Código Florestal, propriedades rurais em áreas de floresta na Amazônia Legal precisam preservar 80% da vegetação nativa como reserva legal. Em áreas de Cerrado dentro da Amazônia Legal, caso de Mato Grosso, a exigência é de 35%, o que permite abrir legalmente uma parte maior de cada imóvel. O Deter não separa o desmatamento autorizado do ilegal e registra toda supressão de vegetação captada pelos satélites.
No acumulado de janeiro a setembro, os alertas recuaram nos dois biomas. Na Amazônia, a área caiu de 3.272 km² em 2025 para 2.392 km² neste ano, redução de cerca de 27%. No Cerrado, passou de 4.476 km² para 4.063 km², queda de 9%.
Os dados do Deter funcionam como aviso para as equipes de fiscalização e não correspondem à taxa oficial de desmatamento. Esse número é calculado pelo Prodes, outro sistema do Inpe, com metodologia mais detalhada e divulgação anual.
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