Bombeiros MT

Menina de 13 anos salva bebê de afogamento usando técnicas que aprendeu com os Bombeiros.
A adolescente Luiza Lemanski Colella, de 13 anos, ajudou a salvar um bebê de 1 ano e 3 meses que se afogou em um tanque de peixes no Assentamento Poranga, em Sorriso (398 km de Cuiabá), na segunda-feira (2). Ex-aluna do projeto social Bombeiros do Futuro, ela fez reanimação cardiopulmonar na criança com as técnicas aprendidas na formação e manteve as manobras no trajeto de carro até a BR-163, onde uma equipe do Corpo de Bombeiros assumiu o atendimento.
O bebê já estava inconsciente quando Luiza chegou ao local. Segundo a adolescente, ele estava gelado, mole, sem reação e com o peito estufado. Algumas pessoas resistiram à ideia de deixar uma menina de 13 anos cuidar do socorro, e foi a mãe dela, Fabiane Aparecida Lemanski, quem pediu que entregassem a criança à filha. “Eu vejo como ela é em casa, a forma como conversa com as pessoas, então precisava acreditar nela e deixá-la assumir a situação”, disse.
Luiza iniciou os procedimentos e conseguiu que o bebê reagisse. A partir daí, continuou as manobras para mantê-lo acordado enquanto a família seguia de carro em direção à cidade. “Minha mãe falava assim: ‘Luiza não desiste, Luiza não desiste’. Eu falava pra ela: ‘mãe, não vou deixar essa criança morrer. Ela não vai morrer nos meus braços, ela vai sobreviver’”, contou.
Perto do pedágio da BR-163, a família encontrou a equipe dos bombeiros, que já havia sido acionada e seguia para atender à ocorrência. “Ela começou a fazer os primeiros atendimentos e continuou até chegarmos ao pedágio da BR-163, onde encontramos a equipe dos bombeiros, que já tínhamos chamado para vir ao nosso encontro. Ela foi fazendo as manobras até a chegada dos militares”, relatou Fabiane. Os bombeiros assumiram o atendimento e levaram a criança ao Hospital Regional de Sorriso.
O acidente aconteceu em uma propriedade rural da família de Luiza, e o bebê é filho de um funcionário do local. Mãe e filha estavam em casa, ali perto, quando chegou o pedido de ajuda. “Estávamos dormindo quando um casal de amigos da família do bebê veio nos chamar, porque nossa casa fica próxima. Era feriado e estávamos em casa. Eles chegaram falando que o bebê estava se afogando. Saímos correndo e chamei a Luiza, porque ela tinha feito o projeto social e sabia as manobras”, disse a mãe.
Fabiane contou que a família nem deveria estar no sítio naquele dia. “Era para estarmos na cidade. Eu tinha planejado meu dia, mas acabei dormindo profundamente. Só acordei quando vieram nos chamar. Levantei assustada, saí correndo e chamei a Luiza”, afirmou.
Luiza entrou no Bombeiros do Futuro por vontade própria. Foi ela quem comentou com a mãe sobre a abertura das inscrições, em 2023, e pediu para participar. A adolescente disse que gostou tanto da experiência que se tornou monitora do projeto. “Eu aprendi com os profissionais, foi um projeto incrível, a gente aprendeu muitas coisas, mas na hora tive que ter tranquilidade, vi aquela criança e fiquei… até agora estou tentando raciocinar que isso aconteceu”, disse.
Desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros Militar com crianças de 9 a 12 anos, o projeto ensina prevenção, segurança, primeiros socorros e atendimento a situações de emergência. A formação de Luiza ficou a cargo do 5º Batalhão de Bombeiros Militar (5º BBM). A iniciativa também trabalha valores como disciplina, responsabilidade, cidadania, respeito e solidariedade.
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