17 de Outubro de 2026
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Cidades Sábado, 17 de Outubro de 2026, 08:46 - A | A

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VIOLÊNCIA EM ALTA

Nova Xavantina lidera alta de violência contra mulher no leste de MT, aponta levantamento

Levantamento do Crime Brasil com dados oficiais mostra três tentativas de feminicídio no trimestre e alta de 31% nos registros em Nova Xavantina

Rojane Marta/Fatos de MT

Ilustração/Canva

MT tem taxa de mortes de mulheres por agressão 41% acima da média nacional

MT tem taxa de mortes de mulheres por agressão 41% acima da média nacional

Os registros de lesão corporal contra mulheres na região do Vale do Araguaia, no leste de Mato Grosso, subiram 26% no primeiro trimestre de 2026. Foram 97 casos de janeiro a março, contra 77 no mesmo período de 2025, alta três vezes maior que a do estado, de 8%. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e foram compilados pelo Crime Brasil, especialmente para o Fatos de MT. O levantamento analisou os dez municípios da região de saúde Garças-Araguaia: Barra do Garças, Nova Xavantina, Campinápolis, Pontal do Araguaia, Novo São Joaquim, Araguaiana, Torixoréu, General Carneiro, Ribeirãozinho e Ponte Branca.

Somando todos os tipos de ocorrência com vítima mulher, como ameaça, lesão corporal, injúria, violência psicológica e estupro, a região teve 536 registros no trimestre, 5% a mais que em 2025. Não houve feminicídio consumado de janeiro a março, mas a Sesp contabilizou três tentativas, todas em Barra do Garças. No mesmo período do ano passado, houve uma.

Nova Xavantina teve a maior alta da região. Os registros passaram de 80 para 105, aumento de 31%, e as lesões corporais quase dobraram, de 12 para 22. Em Campinápolis, as lesões dobraram, de 6 para 12. Barra do Garças, o maior município da região, manteve o volume estável, com 310 registros, mas as lesões subiram de 40 para 48. Em Novo São Joaquim, os registros passaram de 19 para 23. O levantamento faz uma ressalva: em municípios pequenos, poucos casos a mais ou a menos mudam bastante os percentuais.

Novo São Joaquim voltou ao noticiário em setembro, quando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve preso um homem acusado de tentar matar a companheira com faca e foice em março, na zona rural do município. O caso motivou o recorte de dados.

Os boletins da Polícia Civil, que têm série completa até dezembro de 2025, apontam 50 ocorrências de estupro, incluindo estupro de vulnerável, e feminicídio na região no ano passado, ante 53 em 2024. Barra do Garças concentrou 20 casos. Novo São Joaquim teve 3, o que equivale a 41,9 por 100 mil habitantes, acima da média regional, de 33,9. Os feminicídios na região passaram de nenhum em 2024 para dois em 2025, em Nova Xavantina e Ribeirãozinho.

De 2019 a 2025, a Polícia Civil registrou 11 feminicídios nos dez municípios: quatro em Barra do Garças, quatro em Nova Xavantina e um em cada um destes municípios: General Carneiro, Ribeirãozinho e Torixoréu. Em todo o estado foram 316 no mesmo período. O ano de 2025 terminou com 52 casos, o segundo maior número da série, atrás apenas de 2020, com 56.

Os dados de saúde reforçam a posição de Mato Grosso acima do país. Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, o estado teve média de 2,51 mortes de mulheres por agressão para cada 100 mil habitantes ao ano entre 2019 e 2024. A média nacional foi de 1,78, ou seja, Mato Grosso ficou 41% acima. Na região Garças-Araguaia, a taxa foi de 1,02, com nove mortes no período: cinco em Barra do Garças, três em Nova Xavantina e uma em Torixoréu.

As notificações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), feitas por serviços de saúde, mostram como acontece a violência. De 2018 a 2024, a região registrou 359 casos de violência interpessoal contra mulheres. Em 74% deles houve violência física. Quase metade das agressões, 49,6%, foi cometida por marido, companheiro, namorado ou ex-parceiro, e a maioria ocorreu dentro de casa. As notificações triplicaram no período: passaram de 32 em 2018 para 96 em 2024, o maior número da série.

O Crime Brasil ressalta que as bases não se somam nem se comparam entre si, porque cada uma tem método e período próprios. Os boletins da Polícia Civil não informam sexo da vítima, e por isso os estupros incluem vítimas de ambos os sexos. Não há na base policial uma categoria específica para tentativa de feminicídio. O levantamento alerta ainda que a ausência de mortes classificadas como agressão em alguns municípios não significa ausência de feminicídio. Mato Grosso registra entre 90 e 160 mortes por ano com intenção indeterminada, quando a perícia não define se houve agressão, acidente ou suicídio, e parte dos casos pode estar nessa categoria, sobretudo no interior.

Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo Ligue 180, que funciona 24 horas e é gratuito, ou pelo 190, em caso de emergência.

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