O marido de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, publicou nas primeiras horas deste sábado (17) uma despedida no Instagram. Lurdes morreu na sexta-feira (16) durante cirurgias plásticas no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. Na publicação, Juan Pablo Padilha conta que a cirurgia era um sonho dela e que ele nunca concordou com o procedimento, mas sabia que a esposa iria até o fim.
“Essa cirurgia sempre foi o seu sonho, nunca fui a favor, mas sabia que você iria fazer”, escreveu. No texto, ele descreve Lurdes como uma mãe exemplar e pede perdão por não ter dito com mais frequência o quanto a amava. Também admite que não sabe como seguir sem ela. “Nunca vou dar conta de cuidar das crianças igual a você”, afirmou. O casal tem dois filhos.
Lurdes passava por uma lipoescultura e pela colocação de próteses mamárias quando sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe interrompeu a cirurgia e tentou reanimá-la por cerca de duas horas, sem sucesso.
Os procedimentos eram feitos pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, que atende em Cuiabá e na Bahia. O cadastro profissional dele aponta inscrição regular no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), mas nenhuma especialidade registrada. Ele não possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica.
A defesa, conduzida pelo advogado Alex Cardoso, sustenta que a inscrição no CRM basta para que o médico realize cirurgias e que o RQE não é exigido para isso. As normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) seguem nessa linha: o registro só é obrigatório para que o profissional se apresente ou se anuncie como especialista. Em nota, a defesa afirma que a paciente passou pelas avaliações pré-operatórias, que a cirurgia ocorreu em ambiente hospitalar adequado e que tudo indica uma complicação súbita, descrita na literatura médica.
Depois que a família foi informada da morte, ainda dentro do hospital, parentes partiram para cima do cirurgião, que relatou ter levado um soco no rosto. A Polícia Militar foi chamada. O médico registrou boletim de ocorrência por agressão e ameaça de morte.
Na publicação, Juan Pablo não menciona o médico nem o hospital. A causa da morte será definida pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), e a Polícia Civil vai investigar as circunstâncias do caso.
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