O Ministério Público de Mato Grosso abriu uma investigação para verificar a possível contaminação das águas da bacia do Rio Paranaíta, no norte do Estado, após a identificação de metais pesados e outros indícios de degradação ambiental. O procedimento foi instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça Cível de Alta Floresta, município localizado a 803 quilômetros de Cuiabá.
A apuração teve início a partir de relatórios técnicos encaminhados pelo Ministério Público Federal, que apontam a presença de substâncias potencialmente tóxicas, como mercúrio, níquel e cromo, além de alterações na qualidade da água. Os documentos registram níveis elevados de nitrogênio e alta turbidez, fatores que podem estar relacionados a atividades de garimpo na região.
As análises também indicam impactos sobre a fauna aquática. Amostras de peixes coletadas no rio apresentaram concentrações elevadas de cádmio, principalmente em espécies predadoras. Em grande parte dos casos, os índices superam o limite permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para consumo humano, o que acende um alerta para possíveis riscos à saúde da população.
Diante dos indícios, a promotora de Justiça Fernanda Alberton determinou providências imediatas. Entre elas, está o pedido à Secretaria de Estado de Meio Ambiente para a realização de vistoria técnica na área e o envio de informações atualizadas sobre licenças ambientais vinculadas à atividade de garimpo.
De acordo com a promotora, a investigação busca garantir que os moradores de Alta Floresta e Paranaíta tenham acesso a informações claras sobre a qualidade da água e dos peixes, além dos eventuais riscos ambientais existentes. O procedimento terá prazo inicial de 90 dias, período destinado à coleta de novos dados, análises complementares e aprofundamento das apurações.
O Ministério Público afirma que a iniciativa tem como foco a proteção dos recursos hídricos da região e a preservação da saúde das comunidades que dependem diretamente do Rio Paranaíta.


