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Cidades Quinta-feira, 19 de Março de 2026, 13:50 - A | A

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crescimento acelerado

População carcerária de MT cresce 58% em 10 anos e pressiona sistema prisional

Levantamento do GMFMT aponta avanço acelerado do encarceramento no Estado

Rojane Marta/Fatos de MT

O número de pessoas privadas de liberdade em Mato Grosso cresceu cerca de 58,5% nos últimos dez anos, passando de aproximadamente 9,6 mil presos em 2016 para mais de 15,2 mil em 2026, segundo levantamento do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMFMT). Os dados indicam um avanço contínuo do encarceramento no Estado, com aceleração nos últimos anos.

O estudo reúne informações do SISDEPEN, do Geopresídios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, e aponta que o crescimento médio anual da população prisional gira em torno de 5% no período analisado. Leia também: MT tem superlotação de 26% e 19 unidades prisionais interditadas

De acordo com o levantamento, o sistema atingiu um pico em 2022, quando o número de presos chegou a cerca de 17 mil, antes de ajustes metodológicos que reduziram o total oficial em 2023. Mesmo com a revisão, a tendência de alta se manteve nos anos seguintes, chegando a 13.735 em 2024 e avançando para 15.218 no início de 2026 .

O relatório destaca que, considerando apenas o regime fechado, Mato Grosso já alcançou a marca de 16 mil presos em janeiro de 2026. Quando somados os regimes semiaberto, aberto e monitoramento eletrônico, a população sob custódia do Estado pode chegar entre 20 mil e 23 mil pessoas, ampliando a pressão sobre as unidades prisionais .

Outro dado relevante é a aceleração recente. Entre o fim de 2024 e o início de 2026, o sistema registrou um crescimento de aproximadamente 17,5% em pouco mais de um ano, ritmo superior ao observado na série histórica . O levantamento aponta que esse aumento pode estar associado ao endurecimento das políticas de segurança pública ou ao aumento das prisões preventivas.

O estudo também evidencia divergências nos dados oficiais ao longo dos anos. Em 2022, por exemplo, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicava mais de 17 mil presos, enquanto a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso apontava cerca de 11 mil, diferença explicada pela inclusão, em alguns levantamentos, de pessoas em regimes abertos e monitoradas por tornozeleira eletrônica .

A análise do GMFMT ainda aponta um fator estrutural que contribui para o crescimento: a taxa de reincidência. Segundo dados do CNJ, cerca de 41% dos presos voltam a cometer crimes em até cinco anos, o que mantém o fluxo de entrada no sistema superior ao de saída .

Na comparação com o cenário nacional, Mato Grosso apresenta crescimento mais acelerado. Enquanto o Brasil registrou aumento de cerca de 29% no período, o Estado teve avanço de 66,6% no regime fechado, mais que o dobro da média nacional .

Apesar de a taxa média de ocupação em Mato Grosso girar em torno de 126%, abaixo da média nacional de aproximadamente 150%, o relatório alerta que esse índice mascara realidades locais mais críticas. Em unidades específicas, a superlotação ultrapassa esses percentuais e concentra a pressão do sistema em determinados municípios .

O levantamento conclui que o crescimento acelerado, aliado à má distribuição de presos e à limitação de vagas, transforma algumas unidades em pontos de maior risco operacional, indicando a necessidade de medidas estruturais e de gestão para conter a expansão da população carcerária no Estado.

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