O presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo de Mato Grosso (Sinpaig-MT), Antônio Wagner, afirmou nesta quarta-feira (23) que o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra Guimarães dos Santos, mora em uma mansão no condomínio Florais registrada em nome de outra pessoa. A declaração foi feita durante caminhada de servidores até a sede da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), em Cuiabá.
"A mansão que o Basílio mora está no nome de uma laranja, que ganha R$ 13 mil", declarou Wagner diante de servidores de diferentes carreiras.
Segundo o sindicalista, o imóvel tem valor venal de R$ 4 milhões para fins de IPTU e valor de mercado que ele estima em aproximadamente R$ 8 milhões.
Nenhum documento sobre a propriedade do imóvel, o valor de mercado ou a pessoa citada como titular foi apresentado durante o ato.
Wagner afirmou que já responde a processo criminal relacionado a uma declaração anterior sobre a mesma residência. Segundo ele, naquela ocasião disse que o imóvel valia R$ 10 milhões, e o secretário juntou a manifestação ao processo.
"Cá estou eu, preparado para mais um processo", afirmou.
A maior parte do discurso foi dedicada aos empréstimos consignados de servidores estaduais. Wagner atribuiu parte dos problemas à regulamentação do cartão-benefício pela Seplag, em 2023.
Segundo o presidente do Sinpaig, 25 instituições foram credenciadas entre 2023 e 2025 para operar na folha de pagamento do Estado e algumas delas não teriam estrutura para oferecer os produtos para os quais receberam autorização.
"Como é que vocês credenciaram instituições para vender crédito na modalidade de cartão de crédito e cartão benefício, se essas instituições sequer tinham capacidade operacional de emitir um cartão?", questionou Wagner, dirigindo a cobrança à Seplag e à Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Em frente à sede da CGE, o sindicalista também criticou a atuação da Controladoria no caso dos consignados. Segundo ele, o órgão seria rigoroso na fiscalização dos servidores, mas não adotaria a mesma postura em relação a agentes políticos.
Wagner afirmou ainda que algumas empresas credenciadas não seriam bancos comerciais nem teriam autorização do Banco Central para funcionar como instituições financeiras nas condições questionadas pelo sindicato.
O Sinpaig pretende protocolar nesta quinta-feira (24) uma representação na Delegacia de Estelionato contra a Eagle Sociedade de Crédito. Segundo Wagner, a empresa teria mais de 10 mil contratos com servidores estaduais, entre eles policiais civis e militares.
O sindicalista orientou os servidores a conferir nos contracheques a existência de descontos identificados como cartão de crédito ou cartão-benefício e verificar se receberam cartão físico e faturas referentes às operações.
Segundo Wagner, descontos mensais de valores idênticos também devem ser conferidos pelos servidores para verificar as características da contratação realizada.
No encerramento do ato, o presidente do Sinpaig afirmou que três instituições que operam consignados de servidores de Mato Grosso estariam envolvidas em lavagem de dinheiro para uma organização criminosa.
Wagner citou duas empresas, mas disse que não revelaria o nome da terceira nem da organização criminosa por temer pela própria segurança.
Uma das empresas mencionadas foi a Cartos. A instituição aparece em documento da Polícia Federal relacionado ao inquérito da Operação Narco Fluxo e também é investigada em apurações das operações Compliance Zero, relacionada ao Banco Master, e Sem Desconto, sobre descontos em benefícios do INSS. As investigações estão em andamento e não há condenação.
Os servidores reivindicam que o Governo de Mato Grosso suspenda descon
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