Um cachorro em estado avançado de desnutrição, coberto de feridas e sem conseguir se manter em pé permanece na esquina da Avenida Senador Metelo com a Rua Barão de Melgaço, no Centro de Cuiabá, em frente à Mercearia Ceará. A Diretoria de Bem-Estar Animal (DBEA), órgão da Prefeitura responsável pelo recolhimento de animais em situação de risco, foi acionada na noite de quarta-feira (9), mas informou que não faria o resgate por falta de vaga para internação.
“No momento estamos com superlotação”, respondeu o atendimento da ouvidoria do órgão à moradora que comunicou o caso.
O pedido foi registrado às 21h42 pelo canal oficial da DBEA no WhatsApp. A denunciante enviou uma fotografia atual do cachorro, informou o endereço e explicou que não poderia fazer o resgate por conta própria porque mora longe do local.
Doze minutos depois, o atendimento informou que o recolhimento dependeria da existência de vaga. “Para resgate é necessário disponibilidade de vaga para internação”, respondeu a DBEA.
A moradora perguntou se, nessas condições, o animal permaneceria na rua mesmo diante do risco de morrer. Às 22h01, o órgão reiterou a resposta.
“Compreendemos a situação e a preocupação com o animal. No entanto, para que possamos realizar um resgate de forma responsável e segura, é necessário que haja disponibilidade de vaga para acolhimento”, informou.
A conversa terminou sem previsão de atendimento, indicação de quando poderia surgir uma vaga ou orientação sobre alternativa para o cachorro.
A imagem encaminhada à DBEA mostra o animal deitado no asfalto, com costelas e bacia aparentes, perda extensa de pelos e feridas expostas nas patas.
Segundo a denunciante, o cachorro vive na rua e apresenta piora progressiva do estado de saúde. O local fica em uma área de grande circulação no Centro da capital.
Depois da negativa, a moradora procurou organizações de proteção animal de Cuiabá, mas nenhuma conseguiu assumir o atendimento.
“Já pedi ajuda para o bem-estar, ONGs. Ninguém pode ajudar”, relatou.
Ela afirma que já resgatou outros animais abandonados e gastou cerca de R$ 20 mil no tratamento de um deles, mas não tem condições financeiras de custear nova internação veterinária.
“As clínicas são caríssimas. É preciso ajuda”, afirmou.
A denunciante não pertence a entidade de proteção animal e pediu para não ser identificada. Segundo ela, o cachorro permanecia no mesmo ponto nesta quinta-feira (10).
A DBEA é responsável pelo resgate de animais feridos, doentes ou vítimas de maus-tratos e pela manutenção do abrigo municipal.
Vale destacar que a Lei Federal nº 9.605/1998 prevê punição para maus-tratos contra animais. Nos casos envolvendo cães e gatos, a pena é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda, conforme alteração promovida pela Lei nº 14.064/2020.
Quem tiver condições de auxiliar no resgate ou no tratamento pode localizar o animal na esquina da Avenida Senador Metelo com a Rua Barão de Melgaço, em frente à Mercearia Ceará, no Centro de Cuiabá.
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