Estudantes da Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, em Barra do Garças, estão produzindo seis tipos de pomadas naturais com plantas do Cerrado em um projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat). Coordenado pela professora de Matemática Fabiane Borges de Souza, o projeto Pomadas Fitoterápicas do Cerrado Mato-Grossense parte do que as famílias da região já sabem sobre o uso das plantas e transforma esse conhecimento em objeto de estudo em sala de aula. A iniciativa foi divulgada nesta segunda-feira (19) pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT).
As pomadas têm finalidades diferentes. Segundo o diretor da escola, professor Eugênio Marcos de Sousa, há formulações para cuidados com a pele, para desconfortos musculares, para proteção contra insetos e uma preparação inspirada em produtos tradicionais usados em cuidados respiratórios. Completam a lista uma pomada para cuidados capilares e outra para cicatrização. Na composição entram folhas e partes subterrâneas das plantas, além de cera de abelha.
A escola fica a 110 quilômetros do centro de Barra do Garças, e o diretor diz que essa distância dá ao projeto um peso diferente. “Por meio deste projeto, estamos valorizando esses conhecimentos e proporcionando aos alunos a oportunidade de transformá-los em práticas, aliando a sabedoria popular ao conhecimento científico”, afirma Eugênio. Para ele, a experiência reforça a escola como espaço de pesquisa e de valorização da identidade da comunidade.
Na bancada, a matemática deixa o quadro. Fabiane explica que a produção exige pesar ingredientes, medir quantidades em gramas e mililitros, calcular proporções e fazer contas, o que aproxima os conteúdos da rotina dos alunos.
A professora diz que o trabalho também estimula autonomia, criatividade, responsabilidade e espírito empreendedor, e pode despertar interesses para a escolha de uma profissão no futuro. Segundo ela, ao juntar biodiversidade, saber tradicional e conteúdo escolar, o projeto leva os estudantes a pensar no uso responsável dos recursos naturais e na preservação do Cerrado.
Alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio participam das atividades. Uma estudante do 8º ano afirma que o projeto “mostra como as plantas podem inspirar novas formas de aprendizagem e inovação dentro da escola”. Para uma aluna do 2º ano do Ensino Médio, cuidar dos recursos naturais “também é cuidar do nosso bem-estar”.
A Seduc não informou o valor do apoio da Fapemat, quantos alunos participam, quais espécies do Cerrado são usadas nem o destino das pomadas produzidas.
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