A Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) condenou o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá Esporte Clube. A decisão foi divulgada pelo clube mato-grossense nesta terça-feira (22), em nota oficial, e envolve a venda do zagueiro Joaquim ao time paulista, em fevereiro de 2023, e a participação do Dourado na posterior transferência do jogador ao Tigres, do México.
A última parcela do acordo original venceu em janeiro de 2025. Segundo o Cuiabá, os clubes renegociaram a dívida, e o Dourado abriu mão de parte do valor que tinha a receber em troca de um novo cronograma, dividido em cinco parcelas.
O Santos pagou apenas a primeira. O Cuiabá levou o caso à CNRD em maio de 2025, e a decisão foi proferida 16 meses depois.
“Sentença não paga salário”, afirmou o clube mato-grossense ao divulgar o resultado. O Cuiabá disse receber a decisão com respeito, mas “sem alívio”, e cobrou o pagamento imediato dos R$ 18,6 milhões.
O Santos ainda pode recorrer ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA). O Dourado afirmou que não aceitará em silêncio eventual utilização de recursos apenas para adiar o pagamento de uma dívida que considera pendente há quase dois anos.
Além do Santos, o Cuiabá afirma ter valores a receber de outros clubes brasileiros. Uma das pendências envolve a venda do volante Raniele ao Corinthians. Segundo o Dourado, a dívida foi incluída pela própria CNRD em um plano coletivo de pagamento dividido em 24 parcelas trimestrais até 2031, corrigidas pela inflação e sem juros.
O clube cobra ainda cerca de R$ 6 milhões do Sport pela negociação do lateral Matheus Alexandre. Em relação ao Grêmio, aguarda julgamento sobre a inclusão de um crédito de aproximadamente R$ 900 mil.
Somados os valores cobrados de clubes brasileiros, os créditos do Cuiabá ultrapassam R$ 40 milhões, segundo a própria agremiação.
“Por isso, o Cuiabá disputa a reta final do Campeonato Brasileiro com o caixa severamente comprometido. Isso não é resultado de má gestão. É consequência de contratos que outros assinaram e não cumprem”, afirmou o clube.
Na mesma manifestação, o Cuiabá declarou que, no futebol brasileiro atual, “quem paga em dia financia quem não paga”.
O clube também questionou o tempo gasto para análise e cumprimento das decisões da CNRD e comparou o procedimento da câmara da CBF com o adotado pela Fifa.
Segundo o Cuiabá, a cobrança não busca tratamento diferenciado, mas o cumprimento dos contratos e a execução das decisões com a mesma rapidez que, conforme a manifestação, é adotada pela Fifa na cobrança dos mesmos devedores.
O Santos não havia se manifestado sobre a decisão até a publicação desta reportagem.
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