O governo dos Estados Unidos passou a adotar um discurso mais rígido e novas ações práticas para desestimular a imigração irregular. Nesta quinta-feira, o Departamento de Estado publicou, em português, um aviso direcionado a pessoas que cogitam migrar para o país sem autorização, com mensagens diretas sobre prisão e deportação em casos de crimes.
A publicação, divulgada nas redes sociais oficiais do órgão, segue a linha adotada pelo governo do presidente Donald Trump e foi replicada também em inglês e espanhol. O objetivo, segundo a administração americana, é reforçar a política de tolerância zero contra a imigração irregular e ampliar o alcance da comunicação a públicos estrangeiros.
Dados apresentados pelo próprio governo indicam que, entre 20 de janeiro e 10 de dezembro de 2025, cerca de 605 mil pessoas foram deportadas do país. No mesmo intervalo, aproximadamente 1,9 milhão de imigrantes deixaram os Estados Unidos de forma voluntária. O governo atribui esse movimento ao aumento de campanhas oficiais nas redes sociais e à oferta de incentivos financeiros para o retorno aos países de origem, prática classificada como “autodeportação”.
Dentro desse pacote de medidas, a administração americana anunciou, na última quarta-feira, a suspensão temporária da emissão de vistos de imigração para cidadãos do Brasil e de outros 74 países. A restrição passa a valer em 21 de janeiro e não afeta vistos de turismo, que continuam liberados para viagens de curta duração, como lazer e negócios.
O Departamento de Estado justificou a decisão afirmando que imigrantes desses países estariam acessando benefícios sociais em níveis considerados elevados pelo governo. Segundo o órgão, a suspensão permanecerá em vigor até que haja garantias de que novos imigrantes não dependam excessivamente de programas sociais nem gerem custos adicionais ao país.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot, afirmou que a política busca barrar a entrada de pessoas que possam se tornar um encargo financeiro para os Estados Unidos. Desde novembro de 2025, consulados americanos passaram a aplicar com mais rigor a cláusula de “encargo público”, prevista na legislação migratória, durante a análise de pedidos de visto.
Entre os critérios avaliados estão condições de saúde, idade, domínio da língua inglesa e situação financeira. Pessoas mais velhas, com histórico de uso de benefícios governamentais, sobrepeso ou necessidade de tratamentos médicos prolongados também podem ter os pedidos negados.
No último dia 12, o Departamento de Estado informou ainda a revogação de cerca de 100 mil vistos considerados irregulares e afirmou que as deportações continuarão, com foco em estrangeiros classificados como criminosos. O Itamaraty informou que o assunto deverá ser tratado diplomaticamente junto à Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.










