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DEVOÇÃO NACIONAL

Da rede dos pescadores ao altar: a história de Nossa Senhora Aparecida

Imagem encontrada por pescadores em 1717 virou símbolo da fé católica no país e leva 10 milhões de peregrinos por ano ao santuário

Da Redação

Canva

Aparecida completa 95 anos como padroeira do Brasil

Aparecida completa 95 anos como padroeira do Brasil

Nossa Senhora Aparecida, celebrada nesta segunda-feira (12), completa 95 anos como padroeira oficial do Brasil. O papa Pio XI assinou o decreto que deu o título à santa em 1930, mas a proclamação solene só aconteceu em 1931, no Rio de Janeiro, então capital federal, diante de cerca de 1 milhão de pessoas. A data é feriado nacional desde 1980, e o Santuário Nacional, em Aparecida (SP), recebe cerca de 10 milhões de peregrinos por ano.

A história começou em 1717, no Rio Paraíba do Sul, no interior paulista. Depois de várias tentativas sem pegar peixe, os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso puxaram da água uma pequena imagem de barro. Era uma representação da Virgem Maria como Imaculada Conceição, que eles passaram a chamar de Aparecida.

Os pescadores começaram a relatar graças e milagres atribuídos à santa, e a imagem passou a atrair romarias de várias regiões do país. Mais de dois séculos se passaram até o reconhecimento pela Igreja como padroeira nacional.

Na cerimônia de 1931, foi lido em público o decreto que declarava Nossa Senhora da Conceição Aparecida padroeira do Brasil. No mesmo dia, as bandeiras brasileira e do Vaticano foram acrescentadas ao manto da imagem.

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O feriado de 12 de outubro foi instituído em 1980, durante a primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil.

Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira (SP) e membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a devoção ultrapassa as fronteiras do país. Em carta, ele descreve a santa como uma referência espiritual para o catolicismo no mundo e afirma que o encontro da imagem revela a atenção de Maria aos pobres e aos excluídos.

Segundo o bispo, a América Latina, marcada pela desigualdade e por uma forte religiosidade popular, se reconhece na imagem escura de barro. A peça pequena e quebrada, retirada da água por pescadores simples, mostraria que a evangelização deve partir da realidade dos povos e de suas culturas.

No fim da carta, dom Vilson pede que as comunidades do Brasil e dos países vizinhos enfrentem os desafios sociais, econômicos e espirituais de hoje com essa referência. Para ele, a Virgem Aparecida mostra que “Deus continua a realizar suas maiores maravilhas por meio dos humildes”.

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