10 de Fevereiro de 2026
00:00:00

Geral Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026, 10:30 - A | A

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026, 10h:30 - A | A

impronúncia

Defesa de PM acusa polícia de forjar provas em caso de personal trainer morta em VG

Advogados de Raylton Duarte Mourão, soldado da PM preso pelo homicídio de Rozeli da Costa Souza Nunes, apontam nulidades na investigação e afirmam que confissão foi obtida sob coação.

Rojane Marta/Fatos de MT

A defesa do soldado da Polícia Militar Raylton Duarte Mourão, acusado de assassinar a personal trainer Rozeli da Costa Souza Nunes,  33 anos, em Várzea Grande, pediu à Justiça a sua impronúncia, alegando que a investigação foi marcada por uma série de ilegalidades, incluindo a manipulação de provas e a obtenção de uma confissão sob ameaça. O crime ocorreu na manhã de 11 de setembro de 2025, quando Rozeli foi morta a tiros dentro de seu carro, no bairro Cohab Canelas. A defesa questiona a validade das principais provas apresentadas pela acusação e afirma que não existem indícios suficientes que conectem o PM ao homicídio.

O documento de alegações finais, protocolado no último dia 8 de fevereiro, ataca duramente a condução do inquérito policial. Os advogados sustentam que a prova central da acusação, baseada em imagens de câmeras de segurança, é frágil e foi manipulada. Segundo a defesa, os vídeos que supostamente mostram a ação dos criminosos não foram juntados integralmente aos autos, sendo apresentados apenas “prints fragmentados, estáticos e unilateralmente selecionados”.

“Não há nos autos qualquer prova testemunhal direta a não ser da testemunha indireta e irmã da vítima onde constam várias contradições”, afirmam os advogados no documento. A defesa aponta ainda a quebra da cadeia de custódia das imagens, questionando quem as obteve, como foram armazenadas e se houve edições. Para os advogados, a autoridade policial “escolheu os prints, atribuiu horários, inferiu condutas e constrói narrativas” para incriminar o acusado.

Outro ponto da argumentação da defesa é a suposta coação para que Raylton confessasse o crime. Os advogados alegam que o soldado foi ameaçado com a prisão de familiares e a retirada de seus filhos pelo Conselho Tutelar. “E não se argumente em confissão extrajudicial até porque obtida sob coação pois o defendente Raylton alegou ameaças”, diz um trecho da petição.

A defesa lista ainda outras supostas ilegalidades, como abuso de autoridade durante a investigação, com ameaças à esposa do acusado, e a exposição midiática antecipada de Raylton com cartazes de “procurado”. Os advogados argumentam que a busca e apreensão na casa do PM foi baseada em prova inexistente e que elementos cruciais, como a arma do crime e a motocicleta utilizada, nunca foram efetivamente apreendidos e periciados de forma a comprovar a ligação com o soldado.

Diante do que consideram uma “pobreza descritiva e generalidade da peça inaugural”, os advogados pedem a impronúncia de Raylton Duarte Mourão e do outro acusado, Vitor Hugo Oliveira da Silva. A impronúncia, prevista no artigo 414 do Código de Processo Penal, ocorre quando o juiz não se convence da existência do crime ou de indícios suficientes de autoria. Caso o pedido seja aceito, os acusados não serão levados a júri popular.

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

contato@fatosdematogrosso.com.br