A líder comunitária Kelly Dayane Gomes de Souza afirmou, na manhã desta sexta-feira (19.12), que foi algemada e colocada em uma viatura da Guarda Municipal de Várzea Grande (GMVG) com o objetivo de calar sua voz durante questionamentos à Prefeitura sobre a atuação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) no município. A declaração foi feita durante a entrega do CMEI Professora Dalva Galdina de Barros Lopes, no bairro São Mateus, em Várzea Grande.
Segundo Kelly, o episódio ocorreu na quinta-feira (18.12), durante um evento oficial da Prefeitura no bairro Costa Verde, onde era realizada a assinatura da ordem de serviço para a construção de cinco reservatórios de água. Ela relatou que tentou questionar a prefeita Flávia Moretti (PL) sobre a contratação da FIPE, que, conforme a líder comunitária, teria ocorrido “sem licitação, sem chamamento público e sem transparência”.
“Eu estou há dois meses tentando um encontro com a Flávia. O que eu queria ontem era falar sobre a FIPE. Eu não queria entrar em camburão nem ser algemada. Eu queria respostas”, afirmou Kelly. Ela disse ainda que procurou o Ministério Público do Estado (MPE) para denunciar a situação. “As reuniões não foram feitas com a população, mas com servidores públicos. A população não foi ouvida”, declarou.
Indagada sobre a tentativa de prisão, a líder comunitária afirmou que a ação teve como objetivo impedi-la de continuar questionando o contrato. “Foi para calar a minha voz e para eu não falar da FIPE”, disse. Kelly evitou comentar novamente as imagens da abordagem. “Os vídeos estão aí. Todo mundo viu que eu sou vítima. Hoje eu quero falar da FIPE”, afirmou.
Sobre a declaração do comandante da Guarda Municipal, Juliano Lemos, de que teria sido ameaçado, Kelly negou qualquer intimidação e afirmou ter provas. “Tenho todos os vídeos desde o começo da reunião. Não houve ameaça, não houve agressão. Eu fui lutar pelo povo de Várzea Grande e fui colocada dentro de um camburão”, disse, ao mencionar que um assessor a acompanha para registrar suas agendas públicas.
Questionada se o fato de andar acompanhada e gravando os eventos não indicaria uma ação planejada, Kelly respondeu que age como forma de proteção. “Eu sou líder comunitária de Várzea Grande. Aprendi a ter sombra observando os repórteres. Estou correndo atrás da verdade. A cidade está em caos, é água, é lixo, é tudo”, afirmou. Ela voltou a cobrar esclarecimentos da prefeita: “Quem indicou a FIPE? Como ela chegou ao Mato Grosso? Foi aberta uma portaria dispensando licitação”.
Kelly também relatou que já tentou agendar reunião com a prefeita e que, em uma das tentativas, precisou acionar a Polícia Militar dentro da Prefeitura. “Eu chamei a Polícia Militar para não ser agredida pela Guarda Municipal. Não é a primeira vez. Já é a segunda”, disse. Segundo ela, após o episódio no Costa Verde, não conseguiu falar nem com a prefeita nem com o comandante da GMVG.
“Ela deu uma entrevista me passando por louca. Depois disso, fui atrás dos meus direitos. Fui à delegacia e fiz exame de corpo de delito”, afirmou. Kelly também contestou versões de que moradores teriam dito que ela apresentava distúrbios emocionais. “Moro há 20 anos no Costa Verde. Perguntem lá se eu tenho algum distúrbio. A população pediu para me tirar da viatura porque eu não tinha feito nada”, disse.
No boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, Kelly relatou que foi abordada por quatro guardas municipais, recebeu voz de prisão, foi algemada e colocada na viatura durante o evento. Conforme o registro, ela afirma ter sofrido lesão no braço direito durante a abordagem e que a prisão teria ocorrido “a mando da prefeita Flávia Moretti”. O documento também aponta que a liberação ocorreu após a intervenção da vereadora Rosy Prado (União), que estava no local.
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