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Geral Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026, 20:11 - A | A

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DEFESA DE ADENIR

"Se houve fraude, onde está?", questiona empresário alvo de operação Cenário Montado

Réu por fraude em licitações de eventos em Barra do Garças e Pontal do Araguaia, o empresário diz que as prefeituras cancelaram R$ 16,5 milhões dos contratos e que nunca houve desvio.

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

Adenir rebate acusação, explica empresas da família e diz que investigação confundiu teto com gasto

Adenir rebate acusação, explica empresas da família e diz que investigação confundiu teto com gasto

O empresário e advogado Adenir Pinto da Silva, réu na Operação Cenário Montado, afirma que o valor de R$ 21 milhões associado ao caso é a soma do máximo que as prefeituras poderiam ter gasto com as empresas dele, e não o que elas de fato pagaram. "Esse valor nunca existiu", disse em entrevista ao Fatos de MT. Segundo ele, a quantia reúne duas licitações de Pontal do Araguaia e cinco adesões de Barra do Garças e do consórcio Cidesapa, todas com saldos que não foram usados e acabaram cancelados. "O que efetivamente recebemos foi R$ 4.169.926,00 em três anos de trabalho."

A planilha enviada pelo empresário à reportagem detalha contrato por contrato. O pregão de 2022 em Pontal do Araguaia tinha teto de R$ 10,3 milhões, e as empresas receberam R$ 1,42 milhão. No pregão de 2023, do mesmo município, o teto era de R$ 7,9 milhões, e os pagamentos somaram R$ 969,8 mil. Nas três adesões de Barra do Garças, os valores pagos foram de R$ 811,3 mil, R$ 140,1 mil e R$ 552,3 mil. Nas duas do Cidesapa, de R$ 90,6 mil e R$ 184,2 mil. A soma confere: de R$ 20,7 milhões previstos, R$ 4,17 milhões foram pagos e R$ 16,6 milhões ficaram com as prefeituras. Adenir afirma que os dados estão nos portais de transparência dos municípios.

Adenir e as empresas A. P. da Silva Multieventos, J. Nasser Eventos e Signus Promoções e Eventos estão suspensos de atividades desde março de 2025. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) o denunciou em dezembro do mesmo ano como articulador de um grupo familiar que, segundo a acusação, combinava orçamentos para inflar o preço de referência de licitações de som, palco, iluminação e geradores. A Justiça mantém bloqueados mais de R$ 16 milhões em bens. Na semana passada, o ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou pedido para liberar as empresas.

"Sigo engessado há mais de 18 meses, sem poder trabalhar", disse o empresário. Ele conta que, depois de o juiz afirmar em uma decisão que ele não estava impedido de trabalhar, passou a atuar recebendo comissões na organização de eventos. Segundo Adenir, foi então preso junto com o filho e outras seis pessoas "sem qualquer motivo, apenas supostas irregularidades administrativas. Presos por estarem terceirizando serviços". Ele afirma que a investigação apontou inicialmente um desvio de R$ 2,5 milhões nas adesões e que o MPMT pediu depois R$ 1 milhão como garantia. "Mesmo assim, não consigo liberar meus bens e nem voltar a trabalhar", destaca.

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A acusação sustenta que o grupo usava empresas ligadas entre si para simular concorrência nas pesquisas de preço. Adenir responde que, na licitação de 2022 em Pontal do Araguaia, a prefeitura usou 15 fontes de preço: uma empresa dele, duas concorrentes e 12 prefeituras e órgãos públicos. Ele nega que as três empresas cotadas fossem suas, como afirmou a investigação. Para o empresário, ainda que houvesse combinação nos orçamentos, ela não mudaria o resultado, porque o preço final é definido na disputa de lances. "A única forma seria combinação com o pregoeiro ou com membros internos da comissão de licitação", disse. "Comigo não há fraude, porque eu derrubo os concorrentes durante a sessão", completou.

Os quadros de cotação da prefeitura, enviados pelo próprio empresário à reportagem, mostram outro cenário na licitação de 2023. Nenhuma empresa da família aparece entre as fontes de preço, como ele afirma. Mas os três fornecedores privados consultados definiram o menor preço de 28 dos 35 itens e somaram R$ 6,7 milhões dos R$ 7,6 milhões do quadro, cerca de 88%. Dois deles, Élcio Mendes da Silva e Jordan Fhellipp Alves Siqueira, foram denunciados pelo MPMT junto com Adenir. Os sete órgãos públicos da lista, entre eles o Comando da Marinha, definiram o preço de apenas sete itens.

Na licitação de 2022, a A. P. da Silva Multieventos, empresa de Adenir, forneceu um dos orçamentos da pesquisa, e o pregão foi vencido pela J. Nasser Eventos, da esposa dele. Os outros dois orçamentos privados daquele ano vieram de Élcio Mendes da Silva e de Marcos Ribeiro Maciel, também réus no processo. Nesse caso, porém, os preços de contratos anteriores de Barra do Garças responderam por cerca de 77% do quadro. Nos dois anos, o valor registrado em ata ficou abaixo da média apurada pela prefeitura, mas acima da soma dos menores preços pesquisados.

Questionado pela reportagem, Adenir afirmou que, em uma cidade pequena, "todo mundo conhece todo mundo". Segundo ele, Jordan Siqueira é concorrente, e Élcio Mendes, embora não tenha equipamentos, trabalha com promoção e venda de shows e tem atividade compatível para apresentar cotação. "Não participam de licitações porque sabem que vão perder pra mim", disse. Para o empresário, fornecer orçamento a uma prefeitura "é um ato de cortesia, para balizamento e apuração de preço médio", e quem envia a cotação não sabe para que ela será usada. Ele afirma que Élcio, Jordan e Marcos Maciel viraram réus "simplesmente porque forneceram cotação de preços" e que não disputaram os pregões.

Sobre o pregão de 2022, Adenir contou que a prefeitura pediu um orçamento e ele enviou pela A. P. da Silva. Quando o edital foi publicado, decidiu disputar com a J. Nasser, da esposa. "A que estava com a melhor alíquota de Simples Nacional era a J. Nasser, e optei por fazer o pregão com ela", disse. Segundo ele, as duas empresas atuaram em fases distintas e não combinaram preços. O empresário também disse que mantinha as empresas em revezamento para pagar menos imposto. "Quanto mais você fatura, mais a alíquota sobe, motivo pelo qual eu sempre deixava duas empresas descansando pra baixar impostos. Isso não é ilegal." Ele não comentou o peso dos orçamentos privados na formação dos preços de 2023.

O empresário também explicou como suas empresas trabalhavam. Segundo ele, funcionavam como agência, representando outras empresas do setor. "Às vezes utilizava documentos dessas empresas parceiras para fornecer orçamento, emitir nota fiscal, fazer recebimentos, tudo com autorização expressa do parceiro", afirmou. Ele diz que essas cotações tinham caráter apenas informativo e que a polícia entendeu a prática como direcionamento de orçamentos.

Adenir confirmou que o laudo contábil anexado à sua defesa e ao pedido feito ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foi elaborado por um perito contratado por ele. "O perito foi contratado por mim, pra ver se consigo ser ouvido", disse. O documento, assinado pelo contador Jorge Blademir de Souza como perito assistente, conclui que não houve dano aos cofres públicos. Adenir afirma que pede há 18 meses que a Justiça nomeie um perito judicial e que o pedido é sempre negado. A intenção, segundo ele, é obrigar o juízo a contestar ou confirmar o laudo. O empresário cita ainda uma decisão do Tribunal de Contas do Estado que teria arquivado representações sobre os contratos.

Sobre a Signus Estruturas e Eventos, aberta em nome do filho seis dias depois da suspensão e citada pelo STJ para manter a medida, o empresário diz que a família precisava de renda. Segundo ele, os filhos têm equipamentos próprios para locação, como banheiros, geradores e grades, e abriram a empresa para operar em pequena escala. "Abrir empresa hoje por algum membro de minha família é necessariamente abrir empresa para cometer crimes?", questionou. A nova empresa também foi suspensa, sob o argumento de que poderia ser usada para repetir os supostos crimes.

Adenir mantém as críticas à investigação e ao Judiciário que o levaram ao CNJ. Diz que a polícia investigou "um caso que não domina", que o MP aceitou "o indiciamento genérico" e que o juiz se recusa a nomear um perito. Sobre as acusações contra o delegado Adriano Marcos Alencar, que conduziu uma das fases da operação, enviou os números de quatro representações por abuso de autoridade que apresentou na Justiça de Barra do Garças. Ele diz ter desistido de todas "por falta de apoio institucional". Segundo o empresário, os processos licitatórios completos nunca foram juntados à ação penal. "Se houve fraude em licitação, onde está a fraude? É só apontar onde, quando e como se deu."

"Não tenho medo do processo criminal porque tenho a consciência tranquila de que nunca cometi qualquer crime", afirmou o empresário, que diz atuar em licitações desde a criação da antiga Lei de Licitações, em 1993. A ação penal corre em segredo de justiça na 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e ainda não tem sentença.

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