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Geral Quinta-feira, 01 de Outubro de 2026, 15:02 - A | A

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OPERAÇÃO GRAVATAS

VÍDEO: Ex-marido diz que advogada condenada a 4 anos por facção apenas cumpria ordens do chefe

Wesley Ribeiro afirma que Jéssica Maróstica era empregada em início de carreira e atendia clientes por ordem do dono do escritório

Rojane Marta/ Fatos de MT

Reprodução

Ex-marido diz que Jéssica atendia clientes do patrão e não trabalhava para facção

Ex-marido diz que Jéssica atendia clientes do patrão e não trabalhava para facção

Wesley Ribeiro, ex-marido da advogada Jéssica Daiane Maróstica, afirma que ela foi condenada por fazer o que o chefe mandava. Em vídeo enviado nesta quinta-feira (1º) ao Fatos de Mato Grosso, ele diz que Jéssica tinha acabado de receber a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e trabalhava como empregada no escritório do advogado Roberto Luís de Oliveira. Segundo Wesley, foi nessa condição que ela atendeu os clientes que depois a levaram ao banco dos réus. Jéssica foi condenada a 4 anos e 1 mês de reclusão, em regime semiaberto, por integrar organização criminosa armada, em ação derivada da Operação Gravatas. Em setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou mais um recurso da defesa.

"Ela não foi pega com droga, não foi pega com dinheiro ilícito. Ela foi simplesmente condenada por conversas de WhatsApp", diz ele, que afirma ter sido ouvido como testemunha no processo. Para Wesley, os diálogos foram lidos fora de contexto, a partir de trechos selecionados pela investigação.

Pelo relato, o casal deixou Juína no fim de 2020. Jéssica era bacharel em Direito, foi aprovada no exame da OAB no fim de 2021 e passou a procurar trabalho. Em abril de 2022, Roberto a chamou para o escritório. Ela só recebeu a carteira profissional em agosto daquele ano e, até então, fazia serviço administrativo. Foi também em agosto de 2022, segundo Wesley, que a polícia apreendeu, em outra operação, os celulares de integrantes de uma facção que eram clientes do escritório. As conversas encontradas nos aparelhos deram origem à investigação contra os advogados.

O ex-marido diz que ela não tinha carteira assinada, como é comum em escritórios, mas cumpria horário, recebia pagamento do empregador e respondia a Roberto. Comprovantes desses pagamentos, afirma, foram entregues à Justiça. "O seu patrão comete um crime, você vai responder por esse crime?", questiona. Ele ressalva que não acusa o advogado: "Se ele cometeu, ele que pague".

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"Ela não estava trabalhando para facção, não tinha contrato com facção. Estava trabalhando no escritório do Roberto, onde tinha endereço e ponto físico", afirma. Wesley cita ainda a absolvição de um quarto advogado denunciado, que segundo ele tinha conversas de mesmo teor. Na sentença, Tallis de Lara Evangelista foi absolvido por falta de provas.

A versão de que Jéssica era subordinada e atuava conforme a demanda do escritório é sustentada pela defesa desde 2024. Em janeiro de 2025, o juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop, condenou a advogada a 4 anos e 8 meses, ao lado de Roberto e da advogada Hingritty Borges Mingotti. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve as condenações e reduziu a pena dela para 4 anos e 1 mês.

Para o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os três formavam o "braço jurídico" de uma facção, repassavam informações sobre a atuação da polícia e faziam a ponte entre líderes presos e integrantes em liberdade. Roberto foi apontado na sentença como líder desse núcleo.

Wesley questiona o uso das conversas entre os investigados e os advogados que os atendiam. Ele não contesta a autorização judicial para apreender os celulares e extrair os dados na outra operação. A dúvida, afirma, é se houve autorização específica para acessar, analisar e utilizar comunicações profissionais, protegidas pelo sigilo da advocacia. No recurso ao STJ, a defesa de Jéssica também apontou violação à regra do Estatuto da Advocacia que garante a inviolabilidade das comunicações do advogado.

O TJMT considerou a prova válida. Segundo o acórdão, uma decisão judicial autorizou a extração dos dados dos aparelhos apreendidos na Operação Dissidência e o compartilhamento dessas informações com outros procedimentos criminais, antes da denúncia. O trecho reproduzido na decisão do STJ não trata especificamente do sigilo entre advogado e cliente. O tribunal registrou ainda que Jéssica e Roberto admitiram ser os interlocutores das mensagens e que as defesas tiveram acesso ao material.

No STJ, o mérito dessas alegações não chegou a ser examinado. A relatora, desembargadora convocada Nilsoni de Freitas, entendeu que a defesa não rebateu todos os fundamentos usados pelo TJMT para barrar o recurso. A condenação ainda não é definitiva.

O vídeo traz também críticas à OAB. "Cadê a OAB que não está vendo isso?", diz Wesley. Para ele, a entidade deveria ter atuado em defesa das prerrogativas, e casos como esse afastam advogados da área criminal. Ele afirma que Jéssica corre o risco de perder a profissão.

Separado da advogada, com quem tem um filho, Wesley conta que resolveu falar porque ela não consegue fazê-lo. Diz que o processo abalou a ex-mulher e a carreira dela e que a família levava uma vida simples. Em mensagem à redação, escreveu que não pede que acreditem na versão da família, mas que os fatos sejam analisados, e se dispôs a apresentar documentos do processo.

A Operação Gravatas foi deflagrada em março de 2024 pela Delegacia de Tapurah. Jéssica foi presa em Sinop no dia 12 daquele mês e depois passou à prisão domiciliar.

 
 
 
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