O procurador-geral da República, Paulo Gonet, vai continuar à frente das investigações sobre o Banco Master. O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou maioria nesta sexta-feira (25), com seis votos, para rejeitar o pedido de afastamento apresentado por deputados do Partido Novo. A sessão, porém, ainda não terminou: os conselheiros também decidem se abrem uma investigação sobre a conduta de Gonet no caso, e nesse ponto o placar estava empatado em 3 a 3 até a última atualização.
A representação do Novo foi motivada por conversas encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Master, que está preso e teve o aparelho apreendido. As mensagens, em que Gonet é citado, vieram a público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de parte dos documentos do caso.
A pressão aumentou na semana passada, quando o jornal O Globo publicou uma foto em que Gonet aparece fumando charuto ao lado de Vorcaro e de outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro, durante um evento jurídico promovido pelo Master em Londres, em abril de 2024.
Gonet nega qualquer proximidade com Vorcaro. Em manifestação enviada ao Conselho antes do julgamento, ele afirmou não ter "relação de amizade alguma" com o ex-banqueiro nem interesse pessoal nos processos em que ele é parte ou investigado. Reconheceu o encontro em Londres, mas sustentou que foi o único contato presencial entre os dois, que ocorreu na presença de outras pessoas, sem tratar de assuntos profissionais, e que não sabia de antemão quem patrocinava o evento. Com esses argumentos, declarou-se "juridicamente plenamente apto" a seguir nos procedimentos do caso Master. Ele repetiu a negativa em sessão do STF no dia 15.
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O procedimento no Conselho, relatado pelo subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, não tem caráter disciplinar. O que está em análise é se as menções a Gonet nas mensagens e a relação com Vorcaro comprometem sua atuação nas investigações. As mensagens integram o material da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras e a participação de agentes públicos no caso Master. Em uma delas, Vorcaro se refere a "Andrei e Paulo", nomes que a PF associa ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral.







