16 de Outubro de 2026
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Jurídico Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, 13:57 - A | A

Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, 13h:57 - A | A

DESVIO NA EDUCAÇÃO

Ex-diretora de escola de VG vira ré por suspeita de desvio de verba para climatização

Juiz recebe denúncia do MP sobre desvio de recursos do programa Climatização para Todos, executado em 2013 na Escola Estadual Mercedes de Paula Sôda

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução EBA

Várzea Grande

A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra Kely Cristina de Barros Rondon, ex-diretora da Escola Estadual Mercedes de Paula Sôda, em Várzea Grande, que passa a responder a ação penal por peculato. A acusação envolve recursos públicos do programa Climatização para Todos, executado na escola em 2013, quando ela comandava a unidade. A decisão é do juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que considerou a denúncia amparada em indícios de autoria e materialidade.

O recebimento da denúncia não é condenação. Nesta fase, o juiz verifica apenas se a acusação tem base mínima para virar processo. O próprio magistrado registra que as provas citadas pelo MPE ainda são indiciárias e unilaterais, colhidas no inquérito policial. O Código Penal prevê pena de 2 a 12 anos de reclusão, além de multa, para o servidor que desvia ou se apropria de dinheiro público ao qual tem acesso por causa do cargo.

Na mesma decisão, o juiz declarou extinta a punibilidade da ex-diretora pelo crime de associação criminosa, que também era investigado no inquérito. Segundo o Ministério Público, a pena prevista para esse crime na época dos fatos era de 1 a 3 anos, o que leva a prescrição em 8 anos. Como os fatos são de 2013 e não houve interrupção do prazo, o Estado perdeu o direito de punir. A denúncia, por isso, não incluiu essa acusação.

A investigação foi arquivada em relação a outras duas pessoas. Uma delas teria intermediado a contratação da empresa responsável pela climatização, e a outra era apontada como responsável pela empresa contratada. De acordo com o MPE, a suspeita de participação das duas surgiu das declarações da própria ex-diretora, que teria relatado um acerto para desviar o dinheiro. As diligências complementares não confirmaram a versão, que ficou apoiada apenas no depoimento dela, sem nenhuma prova independente. O juiz homologou o arquivamento, mas ressalvou que o caso pode ser reaberto se surgirem novas provas.

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Kely Cristina será citada e terá 10 dias para apresentar defesa por meio de advogado. Se não constituir defensor, a Defensoria Pública que atua na vara fará a defesa. O juiz também mandou comunicar o recebimento da denúncia aos órgãos de identificação criminal, como pediu o MPE.

A Escola Estadual Mercedes de Paula Sôda ficava no bairro Jardim Paula I e foi desativada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) no fim de 2020, com remanejamento de alunos e servidores para outra unidade.

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