A Polícia Civil terá cinco dias para informar se todas as mídias usadas na investigação contra a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida e outros cinco réus acusados de lavar dinheiro do Comando Vermelho já estão no processo, e dez dias para entregar a íntegra dos dados extraídos de celulares e contas virtuais. A ordem é do juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que atendeu a um pedido da defesa de Renildo Silva Rios e, na mesma decisão, liberou aos advogados de todos os acusados o acesso a documentos mantidos sob sigilo.
A defesa de Renildo afirmou que o material de origem não foi juntado aos autos, apesar de reconhecer que o processo tem relatórios de análise, trechos exportados de conversas e arquivos de mídia avulsos. O juiz verificou que várias mídias já foram anexadas pela polícia, mas decidiu que, antes de deliberar sobre a entrega de cópias, é preciso saber exatamente o que está no processo e o que continua com a autoridade policial. Os documentos sigilosos, segundo a denúncia, estavam protegidos para preservar a intimidade dos próprios réus. Com a fase de defesa aberta, o juiz autorizou que todas as defesas os vejam.
A mesma decisão declarou extinta a punibilidade do pastor Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna. Ele foi investigado, mas não chegou a ser denunciado porque morreu em setembro. O Ministério Público registrou a morte na denúncia e juntou a certidão de óbito ao processo, o que permitiu ao juiz encerrar formalmente qualquer possibilidade de punição.
A ação penal foi proposta pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, a partir da Operação Fariseus, deflagrada em julho. Rhavenna, a mãe dela, a pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e Renildo Silva Rios respondem por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O primo Rhuan Barcelos da Conceição e as irmãs Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi são acusados apenas de lavagem.
Confira as últimas notícias do Fatos (CLIQUE AQUI)
Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)
Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).
Segundo o MP, a família usava um projeto evangélico, a Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas, para entrar em unidades prisionais e ter acesso a presos de diferentes alas. Rhavenna é apontada como uma das responsáveis por levar recados entre presos e integrantes da facção fora da cadeia e por movimentar o dinheiro do grupo. A acusação sustenta que os valores eram lavados por meio de uma casa lotérica e de depósitos fracionados em contas de parentes, e descreve Renildo como integrante do Comando Vermelho e uma das principais fontes do dinheiro.
A denúncia foi recebida em 17 de setembro. Rhavenna está em prisão preventiva, decretada em procedimento separado. O processo ainda não pode avançar para a fase de audiências, porque os mandados de citação de Rhavenna e de Rhuan não tiveram o cumprimento certificado, e o juiz mandou continuar as diligências. A defesa de Rhavenna já apresentou resposta à acusação, que será analisada depois.







