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O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, se opõe a pedido de advogado para deixar monitoramento no caso Banco Master
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra o pedido do advogado Leonardo Augusto Furtado Palhares para retirar a tornozeleira eletrônica e obter autorização para sair do município onde mora. A manifestação foi assinada em 22 de setembro pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, e encaminhada ao ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) do inquérito relacionado ao Banco Master.
Palhares sustenta que sua participação se limitou à assinatura de um contrato para desenvolvimento de projeto social, que colaborou com a investigação e que as medidas cautelares prejudicam o exercício da advocacia. O advogado também afirmou ser pai de cinco filhos menores e estar impedido de acompanhar a mãe, idosa e doente, que vive em Nova Lima, em Minas Gerais.
A PGR defendeu a manutenção das restrições. Segundo a manifestação, os argumentos relacionados à participação do advogado nos fatos dizem respeito ao mérito da investigação, que ainda está em andamento. Para o órgão, existem indícios suficientes, nesta fase, para manter as cautelares, além de diligências pendentes que poderão esclarecer a participação atribuída a Palhares.
Sobre a situação familiar, Gonet afirmou que não foi apresentado documento demonstrando que o advogado seja o único familiar disponível para acompanhar a mãe durante o tratamento. Sem essa comprovação, a PGR entende que não há fundamento para flexibilizar a proibição de deixar o município.
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A manifestação cita decisão de maio que descreveu a participação atribuída ao advogado. Segundo o documento, Palhares assinou, como administrador da Varajo Consultoria, uma proposta de prestação de serviços destinada à contratação de Belline Santana para elaborar estudo técnico sobre inserção de jovens no mercado financeiro.
A investigação sustenta que o contrato teria sido utilizado para dar aparência de legitimidade a transferências financeiras e que a empresa de Palhares teria funcionado como intermediária dos pagamentos.
Belline Santana chefiou o Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central e foi afastado do cargo.
Segundo a Polícia Federal, Santana recebeu R$ 3,8 milhões entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, divididos em 14 depósitos realizados por meio da empresa administrada por Palhares. Os recursos teriam origem em companhias ligadas a Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, instituição que estava sob supervisão do Banco Central.
Uma sindicância interna do Banco Central concluiu que os contratos analisados não apresentavam lastro técnico compatível com os valores pagos.
As investigações continuam e não há condenação.
Palhares já prestou depoimento à Polícia Federal e apresentou informações sobre o fluxo dos pagamentos. Em manifestações anteriores, a defesa afirmou que o caso está sob análise judicial e que a empresa colabora com as investigações.
A defesa de Belline Santana nega que ele tenha recebido vantagem indevida e sustenta que o ex-servidor não interferiu na fiscalização do Banco Master.
A manifestação da PGR não decide o pedido. Caberá ao ministro André Mendonça definir se mantém ou altera as medidas cautelares impostas a Palhares.






