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Jurídico Segunda-feira, 26 de Outubro de 2026, 14:57 - A | A

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SEGUNDO FLAGRANTE

Preso duas vezes em dois meses, vice-prefeito de Nobres tem liberdade negada pela Justiça

Médico Sérgio Shoji Takeuti (PRD), de 71 anos, foi preso pela segunda vez em dois meses por porte ilegal de arma; em agosto, tinha sido solto após pagar fiança de R$ 10 mil

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

Após pagar R$ 10 mil de fiança, vice-prefeito de Nobres volta a ser preso com arma ilegal

Após pagar R$ 10 mil de fiança, vice-prefeito de Nobres volta a ser preso com arma ilegal

A Justiça converteu em preventiva, nesta segunda-feira (26), a prisão do vice-prefeito de Nobres, o médico Sérgio Shoji Takeuti (PRD), de 71 anos. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar na noite de sábado (24) com um revólver calibre .38 de numeração raspada, depois de uma denúncia de disparos de arma de fogo em um bar na zona rural do município. A decisão é da juíza plantonista Lorena Amaral Malhado, da Comarca de Nortelândia, que atendeu ao pedido do Ministério Público Estadual. Segundo a magistrada, Takeuti voltou a ser preso pelo mesmo crime apenas dois meses depois de ter sido solto mediante fiança.

De acordo com o auto de prisão em flagrante, a PM foi acionada por volta das 22h05 por uma denúncia anônima de tiros no Bar e Mercearia RN, na entrada da Furquilha do Manso, em Nobres. O denunciante apontou como autor o homem conhecido como “Dr. Sérgio” e pediu sigilo por medo de represálias. Ao chegar, a guarnição encontrou o vice-prefeito atrás da caminhonete dele. Na revista, os policiais acharam no bolso traseiro da calça um revólver Taurus calibre .38, com o tambor vazio e a numeração de série raspada. No bolso da frente havia 14 munições intactas do mesmo calibre.

Segundo a Polícia Civil, Takeuti disse ter comprado a arma momentos antes, por R$ 7 mil, de um desconhecido. Em uma varredura no bar, os policiais encontraram ainda, sobre uma mesa de sinuca, uma garrucha artesanal calibre .22 com 29 munições intactas e uma cápsula deflagrada, dentro de uma sacola plástica. Ninguém assumiu a propriedade desse material. Segundo o Ministério Público, não foram encontradas cápsulas deflagradas de calibre .38 no local. O vice-prefeito não resistiu à prisão e foi levado à delegacia sem algemas.

Ele foi autuado por porte ilegal de arma de fogo com numeração suprimida, crime com pena de 3 a 6 anos de reclusão, e por porte ilegal de munição de uso permitido. Na audiência de custódia, realizada de forma híbrida, a defesa pediu liberdade provisória sem fiança. Argumentou que Takeuti é médico, vice-prefeito, primário, arrimo de família e idoso, com limitações físicas, e que solto não colocaria em risco a ordem pública. O Ministério Público pediu a prisão preventiva ou, como alternativa, fiança de dez salários mínimos, equivalente a R$ 16.210, com outras medidas cautelares.

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Ao decidir, a juíza afirmou que, “por ostentar a condição de figura pública, vice chefe do executivo municipal e médico por formação, a conduta do custodiado tem ainda maior reprovabilidade”. Ela lembrou que Takeuti tinha sido preso em flagrante em agosto deste ano por porte ilegal de arma e liberado após pagar fiança de R$ 10 mil. “Apesar disso, e com todos os atributos que goza no Município, o custodiado foi novamente preso em flagrante por colocar em risco a incolumidade da população que lhe confiou o cargo”, escreveu. Para a magistrada, nem a idade nem as limitações físicas “foram capazes de evitar a reiteração delitiva”, o que mostraria que ele não cumpriria medidas cautelares diferentes da prisão.

O mandado de prisão preventiva foi cumprido na tarde desta segunda-feira. O caso agora segue para o juiz da comarca, e a Polícia Civil deve concluir o inquérito. A decisão cabe recurso.

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