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Polícia Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026, 10:31 - A | A

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026, 10h:31 - A | A

Presa na Bolívia

Polícia revela como Angeliquinha escapou de presídio e admite falha a ser apurada

Capturada na Bolívia após cinco cirurgias no rosto, ela deve voltar a Mato Grosso para cumprir mais de 260 anos de condenação

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

angeliquinha

A fuga de Angélica Saraiva de Sá, a Angeliquinha, da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, ocorreu por um portão lateral construído para uma obra dentro da unidade, segundo a Polícia Civil. Em entrevista nesta quarta-feira (23), o delegado Victor Hugo contou que ela serrou as grades e saiu pela área onde funcionava uma casa de costura, em reforma na época. "Houve uma falha ali que vai ser apurada administrativamente", afirmou, sem atribuir responsabilidade. Segundo ele, a corporação vai pedir atenção redobrada a obras em presídios femininos, onde as detentas participam de oficinas.

Ela fugiu em 17 de agosto de 2025 e foi capturada na terça-feira (22) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em ação conjunta da polícia mato-grossense com autoridades bolivianas. Apontada pela polícia como liderança do Comando Vermelho em Alta Floresta, Nova Bandeirantes e região, acumula mais de 260 anos em condenações e tinha seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo deste ano.

Ao ser abordada, apresentou um documento brasileiro falso, com identidade diferente da dela, mas já havia sido reconhecida por identificação facial. O delegado disse que ela passou por mais de cinco cirurgias plásticas para mudar a aparência e apareceu com curativos nas fotos divulgadas após a prisão. Segundo ele, a cidade boliviana é referência em procedimentos estéticos de baixo custo, o que atrai foragidos que tentam escapar do reconhecimento.

A Polícia Civil afirma que ela morava na cidade boliviana desde a fuga e mantinha padrão de vida elevado, em uma casa com piscina. Também sustenta que continuava comandando a facção à distância, em contato com integrantes de menor hierarquia em Alta Floresta, e que fazia o mesmo enquanto estava presa. Para o delegado, ela é apontada como mandante da maior parte dos homicídios ligados a facção na região.

Ainda segundo a investigação, ela pode ter assumido papel na logística do tráfico na fronteira. "A Angélica estava ali com alguma posição de viabilizar essa entrada e saída", disse o delegado, acrescentando que a real função dela em território boliviano ainda será apurada com dados telemáticos.

A família foi alvo da Operação Showdown, deflagrada em março, que apurou lavagem de dinheiro e uso de plataformas de apostas. O delegado afirmou que o pai, a filha e o genro foram presos e que o genro segue detido. A filha, de 20 anos, está em prisão domiciliar com tornozeleira, liberada por estar grávida. Segundo a polícia, ela movimentou R$ 20 milhões em dois anos, sem renda compatível, por meio de três empresas de fachada, e usava jogos on-line para lavar dinheiro do tráfico.

Agora, cabe à Justiça boliviana decidir sobre deportação ou expulsão. Depois disso, ela deve ser entregue às autoridades brasileiras e voltar ao sistema penitenciário de Mato Grosso.

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