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Política Sábado, 19 de Setembro de 2026, 10:27 - A | A

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A 15 DIAS DA ELEIÇÃO

Abilio chama reajuste do Bolsa Família de eleitoreiro e critica aumento de R$ 91

Prefeito de Cuiabá diz que aumento de R$ 91 às vésperas do primeiro turno não muda a vida dos beneficiários e propõe mudar as regras do programa e do BPC

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de MT

Abilio aposta em vitória de Flávio Bolsonaro e vê reajuste como reação da esquerda

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), classificou como eleitoreiro o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo federal. Em entrevista, ele afirmou que o aumento de R$ 91 no valor mínimo do benefício foi anunciado perto demais da votação e defendeu que o piso passasse a R$ 850.

"O que ele fez é aumentar R$ 91 na véspera da eleição, com claro viés eleitoral e prejudicando a população com um valor que não vai mudar muita coisa na vida dessas pessoas", disse.

O prefeito também propôs mudanças nas regras do programa e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. "Deixa a pessoa trabalhar e ter o Bolsa Família como um auxílio de sobrevivência", afirmou. Segundo ele, quem consegue emprego perde os dois benefícios, o que, em sua avaliação, desestimula a busca por trabalho.

As regras atuais preveem períodos de transição nos dois casos. No Bolsa Família, a chamada regra de proteção permite que a família continue no programa recebendo metade do valor quando a renda por pessoa sobe, desde que fique abaixo de meio salário mínimo. O prazo varia conforme a situação, e famílias que perdem o benefício têm prioridade de retorno em até 36 meses. No BPC, a pessoa com deficiência que começa a trabalhar tem o benefício suspenso e passa a receber o auxílio-inclusão, previsto na Lei Brasileira de Inclusão, sem perder o direito de voltar ao benefício caso deixe o emprego.

O reajuste criticado pelo prefeito eleva o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio pago chega a R$ 777. A correção corresponde à variação do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, e o pagamento começa em 19 de outubro, depois do primeiro turno e antes do segundo, marcado para 25 de outubro.

O governo federal nega finalidade eleitoral. A Advocacia-Geral da União afirmou que a correção está amparada na legislação, por se tratar de programa permanente, e lembrou que os valores não eram reajustados desde a criação do modelo atual, em 2023. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que a decisão foi tomada depois que a equipe econômica identificou recursos para custear o aumento.

Na quinta-feira (17), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou uma representação apresentada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC) contra a medida. A decisão foi processual: o ministro entendeu que um candidato a deputado federal não tem legitimidade para questionar ato ligado à disputa presidencial, que tem circunscrição nacional. O mérito não chegou a ser analisado. Abilio criticou a atuação da Justiça Eleitoral e afirmou que ela seria mais dura em caso semelhante envolvendo adversários.

O prefeito avalia ainda que o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, lidera a corrida e atribui o reajuste a uma tentativa de reação do campo governista, especialmente no Nordeste. Ele citou a Bahia, onde disse haver desgaste do governador Jerônimo Rodrigues (PT), e apontou o avanço do agronegócio como fator de mudança no voto da região.

Abilio não disputa cargo nesta eleição. Ele tem atuado na campanha de Flávio Bolsonaro e na de sua esposa, Samantha Iris (PL), candidata a deputada estadual.

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