O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), disse nesta quarta-feira (4) que, se pudesse decidir como presidente da República e o Congresso, mandaria um projeto para cortar a mão e o pé de quem rouba fio de igreja. A declaração foi feita durante a entrega de títulos de imóveis na Capela São Pedro, no Jardim Alvorada, depois que ele soube do furto da fiação do templo. Logo em seguida, Abilio gravou um vídeo em que trata a medida como exagero, afirma ter lembrado de como o Estado Islâmico e o Hamas punem quem rouba e usa a passagem bíblica dos dois ladrões crucificados ao lado de Jesus para defender penas mais duras.
“Não aprende, gente. Essa lei é muito impune”, disse o prefeito aos moradores, com o microfone na mão. “Como que o cara rouba fio de igreja, cara? Até de igreja tá roubando”, continuou. Antes de encerrar o assunto, ele cobrou mudança na punição: “Tem que existir umas penas mais duras pra esse pessoal”.
Na gravação, publicada junto com o trecho do discurso e com mais de 12 mil curtidas na manhã desta quinta-feira (5), Abilio explicou de onde veio a ideia. “A primeira mensagem ali, o primeiro momento que eu tive, foi um momento de indignação. E nesse momento de indignação, eu lembrei de como o Estado Islâmico, como o Hamas, como esse pessoal lida com essas coisas. Eles cortam as mãos e cortam os pés de quem rouba. E essa pessoa não volta mais a roubar”, afirmou.
A amputação, segundo o prefeito, não é a saída. “Essa medida de cortar a mão e o pé, claro que é exagerada. É óbvio que não é o caminho que nós devemos tomar”, declarou. Mais adiante, acrescentou que aquele foi “o momento da raiva, o momento do exagero”, mas insistiu na cobrança: “Temos que ter uma punição pra quem faz isso. Não dá pra tolerar essa lei que deixa impune o infrator”. Na legenda da publicação, escreveu que o Estado Islâmico, o Hamas e as facções “fazem e a esquerda defende”, sem citar nomes ou casos.
A Constituição Federal proíbe penas cruéis no artigo 5º, inciso XLVII, que também veda a pena de morte, salvo em caso de guerra declarada, a prisão perpétua, os trabalhos forçados e o banimento. As garantias individuais não podem ser abolidas nem por emenda constitucional.
O Código Penal foi alterado no ano passado para esse tipo de crime. A Lei 15.181, sancionada em julho de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fixou reclusão de dois a oito anos, além de multa, para o furto de fios, cabos ou equipamentos usados no fornecimento ou na transmissão de energia elétrica, telefonia ou dados. A pena do furto simples é de um a quatro anos. No roubo desse material, a punição aumenta de um terço até a metade e pode chegar a 15 anos de prisão.
Abilio disse que há no país uma onda de vandalismo e furtos contra templos, principalmente evangélicos e católicos, e defendeu punição maior para quem atinge esses locais. “Deveria ter uma pena muito mais agravada quando se faz isso com uma instituição religiosa”, afirmou. Ele não apresentou números. “Quem rouba, tem que pagar pelo que rouba. Quem faz essas coisas, tem que pagar. Seja dinheiro público, seja dinheiro privado”, completou.
Do furto, o prefeito passou às críticas ao sistema de Justiça. Mencionou facções que torturam pessoas e cobram taxa para a venda de água e afirmou que “o Brasil virou um narcoestado”. Para ele, “as leis do Brasil são para perseguir opositores políticos, mas para aqueles que praticam corrupção, atos de criminalidade, facções, etc., a lei é mais branda e a democracia é relativa”. Abilio ainda recorreu a um ditado: “Aos inimigos do rei, a justiça. Aos amigos do rei, as benesses”.
No trecho final, respondeu a quem questiona se a fala combina com a fé cristã. “Na cruz, ao lado de Cristo, existiam dois ladrões. Ele salvou apenas um. Por que que Jesus, na sua misericórdia, não salvou os dois?”, perguntou. Depois, concluiu: “A misericórdia de Cristo e a justiça de Cristo, ela também é um ato de amor, um amor com a vítima, e não com aqueles que praticam a ilegalidade”.
O furto de fiação também atingiu nesta semana uma unidade da rede municipal. A Secretaria Municipal de Educação informou que o Centro de Educação Infantil Cuiabano Santa Clara, no Jardim Leblon, suspendeu o atendimento a 100 crianças de até 3 anos e 11 meses depois da ação ocorrida no sábado (31). A fiação do sistema de ar-condicionado e da bomba da caixa d’água foi danificada, com prejuízo estimado em cerca de R$ 8 mil. A previsão era concluir os reparos até esta quinta-feira.
A Prefeitura de Cuiabá divulgou a entrega de 597 títulos pelo Programa Casa Cuiabana, destinados a moradores dos bairros Senhor dos Passos I, Quitandinha e Jardim Fernandes. Já o Governo de Mato Grosso anunciou 278 títulos para famílias do Jardim Alvorada, na mesma capela.
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