O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) disse nesta quarta-feira (21), em entrevista coletiva, que a reforma administrativa do novo mandato pode manter o atual número de secretarias. A ideia é concentrar os cortes na estrutura interna das pastas, com menos cargos e menos burocracia. Segundo ele, um grupo de cerca de dez servidores de carreira vai apresentar até o fim da próxima semana o plano de redução do tamanho do Estado. O plano inclui a devolução aos municípios de aproximadamente 12 mil quilômetros de rodovias hoje classificadas como estaduais.
Pivetta criticou reformas que só mudam o nome dos órgãos. "Muitas vezes tem essas medidas que são muito midiáticas, de corta, corta, corta, mas mantém o número de pessoas, mantém os gastos. Só diminui as nomenclaturas, mas mantém a mesma estrutura", afirmou. Para ele, o caminho é outro. "É possível que a gente mantenha o número de secretarias, mas com um organograma mais vertical, com menos burocracia, menos gente, trabalhar mais com os quadros do Estado que já são de carreira."
A vice-governadora eleita, Gisela Simona (União), integra o grupo de trabalho. O plano deve prever diminuição de gastos, contenção de despesas, modernização da máquina e melhoria dos sistemas. Também deve simplificar as transferências voluntárias para os municípios. "Vai ser tudo fundo a fundo", disse o governador, sem detalhar valores.
A mudança mais concreta anunciada está nas estradas. O novo Plano Diretor Rodoviário vai tirar da responsabilidade do Estado cerca de 12 mil quilômetros de rodovias que, nas palavras de Pivetta, "nunca foram estaduais". Ele atribuiu a situação a trechos incluídos na malha estadual ao longo das décadas por iniciativa de parlamentares. "Aquelas cobrinhas que vocês veem no mapa, que são locais que foram estadualizados para cada parlamentar, ao longo da história do Mato Grosso, mostrar serviço para suas bases", afirmou.
Segundo o governador, essas vias nunca receberam manutenção do Estado. "Então nós estamos eliminando essa mentira, devolvendo para os municípios, cada um, as suas cobrinhas." Parte do dinheiro hoje reservado à manutenção rodoviária será repassada às prefeituras, para que cuidem das estradas com autonomia. "Vai ser lindo", resumiu. Pivetta não informou quais trechos serão devolvidos nem quanto será transferido.
Um jornalista perguntou sobre um programa de demissão voluntária de servidores efetivos, hipótese citada pelo ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo. O mesmo jornalista sugeriu que o governo desligasse comissionados antes de mexer com efetivos. "Boa! A tua sugestão nós vamos acatar", respondeu Pivetta. Logo depois, ele evitou o termo. "Eu não vou falar de demissão, né? Algumas pessoas serão desconvidadas, tá vendo? Desligadas."
O governador tratou o enxugamento como compromisso de campanha. "Nós precisamos adequar a nossa máquina pública à capacidade e à disposição que o nosso povo tem de sustentar o Estado. Nós temos que diminuir o peso do Estado sobre o lombo do trabalhador. E nós faremos isso."
Pivetta assumiu o governo em março, depois que Mauro Mendes (União) renunciou para disputar o Senado. Foi reeleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 60,77% dos votos válidos, e o novo mandato começa em janeiro de 2027. Ele não disse quanto espera economizar com a reforma nem quantos cargos serão cortados.
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