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Política Segunda-feira, 02 de Novembro de 2026, 09:58 - A | A

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“ERRAMOS NO CANDIDATO”

Após dizer que eleição foi roubada, Júlio Campos recua e culpa escolha de Flávio pela derrota

Deputado disse em 13 de outubro que a direita foi roubada na urna eletrônica; agora pede respeito ao resultado, culpa a escolha do candidato e defende a saída do senador do Brasil

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de MT

Julio Campos

Quinze dias depois de afirmar que a direita foi roubada na urna eletrônica em 2022 e de apontar um complô contra Flávio Bolsonaro (PL), o deputado estadual Júlio Campos (União) afastou a tese de fraude na eleição presidencial. Em entrevista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, na quarta-feira (28), ele disse que o resultado precisa ser respeitado, que a prorrogação da votação não mudaria o placar e que o erro da direita foi lançar Flávio, e não o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na mesma fala, defendeu a saída do senador do Brasil e atribuiu a decisão à "truculência" do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Com relação à fraude, eu acho que é difícil analisar, porque urna eletrônica é urna eletrônica, né? Tem alguém, tem um ser humano que monta, mas é difícil. A diferença foi muito grande", disse. Em 13 de outubro, em evento do comitê de campanha de Flávio em Mato Grosso, o tom era outro. Ao lembrar a derrota de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, Júlio afirmou: "infelizmente fomos roubados naquela urna eletrônica". Sobre o segundo turno, disse haver gente do Judiciário, das Forças Armadas e da imprensa "tentando nos roubar mais uma vez a eleição". Ele não apresentou provas.

Júlio também descartou a prorrogação do horário como causa da derrota. "Dizem os entendidos que essas duas horas que foram prorrogadas, das 17 para as 19 horas, apenas 35, 50 mil eleitores votaram, o que não mudaria o resultado, numa diferença de quatro milhões e poucos de votos", afirmou. O levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 34.393 votos depois das 17h em todo o país. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 64.256.232 votos, contra 59.826.041 de Flávio, uma vantagem quase 129 vezes maior. A extensão até as 19h foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, depois que as duas candidaturas relataram dificuldades no transporte de eleitores.

A prorrogação foi a principal queixa de Flávio na noite da derrota, quando disse que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação da eleição. No dia seguinte, desistiu do pedido e passou a falar em cassar a chapa de Lula. Na tarde de quarta-feira, já nos Estados Unidos, o senador divulgou carta em que se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". O texto falava em fraude, sem provas, e foi trocado após a repercussão. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, respondeu em nota que a eleição correu dentro da normalidade.

"O erro começou na escolha do candidato", afirmou Júlio, que apoiou Flávio publicamente. "O candidato natural da direita, nosso, deveria ser o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Lamentavelmente, por uma questão pessoal, particular, o presidente Bolsonaro indicou seu filho Flávio, que no início teve algumas reações, mas depois ele conseguiu decolar."

O deputado disse que o senador terminou a disputa com quase 49% dos votos. O número oficial é de 48,21%, contra 51,79% de Lula. Nesse trecho, chamou o resultado de "diferença mínima". No outro, ao falar de fraude, disse que "a diferença foi muito grande". "Então, significa que realmente erramos no candidato, mas bola pra frente", completou.

Júlio contou que alertou lideranças locais e nacionais sobre a capacidade do PT de mobilizar a militância e virar votos. Flávio saiu na frente no primeiro turno, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. "Nós temos que reconhecer que é melhor ganhar no primeiro turno, porque, se depender do segundo turno, corre risco", disse.

Sobre a saída do senador, o deputado responsabilizou Moraes. "Foi fruto da brutalidade com que o ministro Alexandre de Moraes tomou, sete minutos após o encerramento das urnas e a declaração de que o vitorioso foi Lula", afirmou. "Então, praticamente estava quase que já declarando que ia prendê-lo." Os sete minutos correspondem ao pedido da Polícia Federal. O TSE anunciou o resultado às 21h09 de 25 de outubro, e a representação da PF foi assinada às 21h16. Moraes atendeu ao pedido em seguida, mandou Flávio entregar os passaportes e o proibiu de deixar o país. Em nota divulgada no dia da entrevista, a PF informou que acionou o STF por risco de saída do território nacional e que não pediu a prisão do senador. A corporação acrescentou que a decisão não autorizava prisão nem vigilância permanente.

Na segunda-feira (26), Flávio afirmou em vídeo que entregaria os passaportes e negou que pretendesse sair do Brasil. Na noite de terça-feira (27), entrou na Argentina com a mulher e as duas filhas e chegou a Miami na manhã seguinte. A PF confirmou que ele descumpriu a ordem, mas informou que não o considera foragido. Segundo a corporação, não há registro oficial da saída nos postos de controle migratório brasileiros.

Questionado se Flávio é réu, Júlio respondeu: "Não, réu não. Apenas um inquérito, né, em andamento". Citou também um advogado cujo nome disse não lembrar. O senador não é réu, mas é alvo de três inquéritos no STF. A ordem sobre os passaportes está ligada à apuração de suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Os dois negam irregularidades. "Muita truculência por parte do Judiciário brasileiro", disse o deputado.

Para o futuro, Júlio defende a renovação na direita. "Agora vamos formar uma nova liderança e confiar que o Congresso Nacional eleito, que a grande maioria é de centro-direita, faça um bom trabalho, mas também que não atrapalhe o novo governo", afirmou. Ele não conseguiu se reeleger em 4 de outubro e terminou a apuração com 18.512 votos.

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