O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), afirmou nesta terça-feira (13) que a manutenção do Bolsa Família não ameaça as contas do país e que o problema está na corrupção e na insegurança jurídica. A declaração foi dada em entrevista, quando ele foi questionado sobre a coerência de criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enquanto o candidato de seu partido à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL), promete manter os principais programas sociais da gestão petista.
“Não existe da parte da direita brasileira, ao menos da direita autêntica, qualquer posição no sentido de prejudicar ou de anular qualquer tipo de programa social”, disse o prefeito em entrevista concedida na inauguração da Casa 22, comitê de Flávio Bolsonaro, em Cuiabá. Segundo ele, a proposta é que os beneficiários não fiquem restritos aos programas e tenham condições de se emancipar.
Ferreira citou como exemplo uma proposta de Flávio para quem recebe o benefício e consegue trabalho com carteira assinada. “Nós defendemos que a pessoa continue com Bolsa Família e possa conseguir um emprego formal sem perder o Bolsa Família. Então, o Bolsa Família não vai quebrar o país. O que quebra o país é a corrupção. O que quebra o país é a insegurança jurídica”, afirmou.
As regras atuais do programa, definidas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, já permitem que a família continue no Bolsa Família depois de aumentar a renda, inclusive com emprego formal. Pela chamada Regra de Proteção, ela passa a receber metade do valor por um período determinado, desde que a renda por pessoa não ultrapasse o limite fixado pelo governo.
A pergunta feita ao prefeito partiu da propaganda eleitoral do segundo turno, retomada na sexta-feira (9). Nela, Flávio negou que vá acabar com programas sociais e prometeu manter o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Farmácia Popular. A campanha de Lula sustenta que o senador, se eleito, pode cortar recursos de programas sociais.
Na lista do que, na avaliação dele, prejudica o país, o prefeito incluiu ainda a política externa do governo federal. Ferreira defendeu a aproximação com parceiros comerciais que chamou de tradicionais, como Estados Unidos e União Europeia, e disse que movimentos em outra direção prejudicam o setor produtivo brasileiro.
Para ilustrar o que entende por programa de oportunidade, o ex-deputado lembrou a CNH Social, que garante a carteira de motorista gratuita a quem não tem condição de pagar e que ele afirma ter criado durante o mandato. “Você está dando essa oportunidade para quem tem menos, mas você também não vai penalizar quem tem mais. Você não vai penalizar o setor produtivo, você não vai criar insegurança”, disse.
Flávio Bolsonaro venceu em Mato Grosso no primeiro turno, e o prefeito afirmou que a tarefa das lideranças locais agora é ampliar a diferença. “Nós já tivemos uma vantagem muito grande aqui, mas agora o desafio é ampliar essa vantagem”, declarou. Ferreira citou o peso do estado no agronegócio e disse que Rondonópolis está entre as 20 cidades que mais exportam no país.
O prefeito também se dirigiu a quem votou em Lula no primeiro turno. “Agora é hora de você também fazer uma reflexão maior. Você está de acordo com a situação atual? Com a carestia, o salário não dá para chegar até o final do mês”, disse, ao mencionar ainda os juros altos e o endividamento das famílias.
O segundo turno da eleição presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula será no dia 25 de outubro.
Confira as últimas notícias do Fatos (CLIQUE AQUI)







