A Câmara Municipal de Várzea Grande divulgou nota oficial nesta terça-feira (20) em que afirma não ter sido alvo de nenhum mandado de busca e apreensão nem de outra medida judicial em suas dependências durante a Operação Cathedra Venalis. A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), e investiga suspeita de compra de votos na eleição da Mesa Diretora. Segundo o texto, as buscas feitas nas casas de parlamentares são apurações de âmbito individual, e cabe a cada vereador citado buscar acesso ao processo para se defender.
Para a Câmara, o fato de a sede não ter recebido mandados “reitera a ausência de qualquer investigação em curso relacionada à gestão financeira, orçamentária ou aos atos administrativos do Poder Legislativo”. A nota termina com a afirmação de que a Casa mantém compromisso com a ética, a lisura e a transparência e que está à disposição das autoridades e da sociedade.
O texto trata apenas dos mandados cumpridos nas residências de parlamentares e não menciona os servidores da Câmara alvos da operação. A diretora financeira da Casa, Lorineide Inhan, teve a casa visitada pelos policiais, segundo o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB). O secretário da Câmara, Samir Japonês, também é alvo e teve o celular apreendido. Em entrevista nesta terça, Samir relatou que um policial lhe disse que a operação estava ligada a ele por ser servidor da Câmara e pela eleição da Mesa Diretora.
A nota não é assinada por nenhum integrante da Mesa Diretora nem traz data.
A Cathedra Venalis cumpre 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Os alvos incluem 15 vereadores, 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. Segundo o MPMT, a investigação apura suspeitas de organização criminosa, corrupção e obtenção de vantagens indevidas, com foco na eleição da Mesa Diretora.
De acordo com a denúncia encaminhada ao Ministério Público, vereadores teriam ficado hospedados em uma chácara no distrito da Guia nos dias anteriores à votação, vigiados por seguranças armados, e dinheiro teria sido usado para garantir votos à chapa vencedora. A mesma apuração investiga um suposto acordo envolvendo a privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande.
A eleição de 14 de maio reconduziu Wanderley à presidência por 12 votos a 11 e foi anulada uma semana depois pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter sido realizada antes do prazo fixado pela Corte. A nova votação ainda não foi marcada. O caso corre sob sigilo, e o MPMT não divulgou a lista oficial de investigados.
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