30 de Outubro de 2026
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Política Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 12:31 - A | A

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DINHEIRO VIVO

Chefe de gabinete de Sérgio Ricardo sacou R$ 3,5 milhões dentro do TCE-MT, aponta PF

Câmeras flagraram Roseli Loss entregando dinheiro ao ex-cunhado de Sérgio Ricardo; segundo a PF, ela usava a biometria facial do presidente no celular

Rojane Marta/Fatos de MT

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Roseli Loss

A chefe de gabinete do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Roseli Loss, presa nesta quinta-feira (29), é apontada pela Polícia Federal como a principal operadora dos saques em dinheiro vivo investigados na Operação Tomada de Contas. Segundo a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), as câmeras da agência do Sicoob instalada dentro do tribunal registraram Roseli fazendo saques que somam R$ 3,52 milhões. Em seis ocasiões, o dinheiro foi entregue a Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente e ex-cunhado de Sérgio Ricardo.

Roseli é chefe de gabinete de Sérgio Ricardo desde 1º de janeiro de 2024. Segundo a investigação, antes disso foi servidora da Assembleia Legislativa quando ele era deputado estadual e trabalhou para a irmã dele. Ela se tornou procuradora bancária do presidente em outubro de 2025, mas já fazia saques nas contas ligadas a ele desde 2024, como os de R$ 200 mil em fevereiro e de R$ 340 mil em abril daquele ano.

A PF também afirma que Roseli fazia no celular procedimentos que, segundo os investigadores, indicam o uso da biometria facial de Sérgio Ricardo, além de movimentar contas das quais não é titular. Um laudo da PF sobre as imagens do circuito interno da agência descreve operações repetidas de retirada e entrega de dinheiro com a participação de servidores do tribunal, a maioria conduzida por ela.

Adriangelo, também preso, cuidava do transporte do dinheiro, segundo a investigação. Em 14 de outubro de 2025, policiais viram um homem com as características dele entrar no posto bancário com uma mochila vazia e sair com ela aparentemente cheia, em direção às dependências do TCE. Ele teria recebido R$ 2,28 milhões a partir de setembro de 2025, e parte desse dinheiro foi repassada à esposa, à filha e a uma terceira pessoa não identificada, o que a decisão trata como possível tentativa de esconder os valores.

Foi nesse dia, 14 de outubro de 2025, que a investigação quase foi descoberta. O sistema de controle de acesso do tribunal identificou a entrada dos policiais, e a segurança do órgão abordou um agente que fazia observação. Depois do episódio, segundo a decisão, os grandes saques presenciais pararam, o dinheiro passou a se acumular nas contas e foi aplicado. Os saques voltaram em maio de 2026, com registro de retiradas em espécie em 11 de maio. Para o ministro, os investigados “readequaram o modus operandi” para não levantar suspeitas.

A decisão determinou ao Sicoob que cancele imediatamente as procurações que permitiam a terceiros movimentar as contas dos investigados, em especial as de Roseli sobre as contas de Sérgio Ricardo. O banco não pode mais permitir saques por procurador nessas contas e deve avisar a PF, em 24 horas, de qualquer saque ou reserva de dinheiro a partir de R$ 10 mil. Os investigados afastados também estão proibidos de frequentar o posto bancário do tribunal.

As prisões são cautelares e não significam condenação. As defesas de Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes não haviam sido localizadas até a publicação desta reportagem.

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