29 de Outubro de 2026
00:00:00

Política Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 19:00 - A | A

Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 19h:00 - A | A

ESQUEMA EM ATIVIDADE

Esquema no TCE-MT seguia ativo em 2026, com saques em maio, aponta STJ

Decisão cita imagens de operações na agência bancária do tribunal em maio deste ano e pagamentos feitos de janeiro a abril; para o MPF, “a estrutura de pagamento segue ativa”

Rojane Marta/Fatos de MT

Divulgação

TCEMT

A estrutura investigada na Operação Tomada de Contas continuava funcionando dentro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) em 2026, segundo a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou nesta quinta-feira (29) a prisão do presidente da corte, Sérgio Ricardo, e de outras cinco pessoas. O documento cita imagens de operações na agência do Sicoob instalada no tribunal em maio deste ano, saques em espécie em 11 de maio e pagamentos feitos pelo TCE em janeiro, fevereiro, março e abril. “Ao que parece, os crimes permanecem em andamento”, escreveu o ministro.

Esse foi um dos argumentos para justificar as prisões. Pela lei, a prisão preventiva exige fatos recentes que mostrem risco atual. Og Fernandes listou, além dos saques e pagamentos deste ano, a ampliação da dotação orçamentária do tribunal e atos administrativos editados pelo presidente ao longo de 2026.

O MPF chegou à mesma conclusão sobre a continuidade, embora tenha sido contra as prisões. Segundo a manifestação citada na decisão, as movimentações identificadas nos extratos de 2025 seriam “apenas uma janela de observação” de uma estrutura ainda em funcionamento. “A estrutura de pagamento segue ativa e os investigados seguem no exercício das funções que a operam”, afirmou o órgão. O MPF também apontou aquisições de patrimônio posteriores e a manutenção das movimentações suspeitas.

A investigação reconstitui como o grupo reagiu ao risco de ser descoberto. Em 14 de outubro de 2025, policiais federais fizeram uma diligência na agência dentro do TCE. O sistema de controle de acesso do tribunal identificou a entrada deles, e a segurança do órgão abordou um agente que fazia observação. A partir daí, segundo a decisão, os grandes saques presenciais pararam, o dinheiro passou a se acumular nas contas e foi aplicado. Os saques voltaram em maio de 2026.

Para o ministro, a mudança mostra que “além de não ter havido a interrupção da atividade, foi adaptada a forma de atuação, possivelmente para dificultar a investigação”. A decisão fala em estrutura que “permaneceu em funcionamento durante os anos de 2025 e 2026, com manutenção dos operadores, continuidade das movimentações financeiras, realização de novos saques em espécie” e preservação dos mecanismos usados para fazer os pagamentos.

O dinheiro para novos pagamentos continua no orçamento. Segundo a PF, a previsão para 2026 é de R$ 140,1 milhões em indenizações, verba que ainda pode receber créditos suplementares. Por isso, além das prisões, o STJ mandou o Sicoob barrar saques por procuradores nas contas dos investigados e avisar a PF, em 24 horas, de qualquer saque a partir de R$ 10 mil. O TCE terá de enviar à PF, a cada trimestre, a lista de todas as ordens bancárias avulsas pagas a pessoas físicas.

As prisões são preventivas e não significam condenação. A decisão ressalta que a análise é preliminar. As defesas não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.

Confira as últimas notícias do  Fatos (CLIQUE AQUI)

Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)

Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).

65 99690-6990 65 99249-7359

[email protected]