01 de Fevereiro de 2026
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Política Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026, 10:00 - A | A

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026, 10h:00 - A | A

Operação Gorjeta

Chico 2000 é afastado do cargo em investigação sobre esquema de corrupção

Decisão aponta uso irregular de emendas parlamentares e desvio de recursos públicos em Cuiabá.

Rojane Marta/Fatos de MT

A Justiça determinou o afastamento imediato do vereador Chico 2000 do cargo após a Polícia Civil desencadear uma nova fase de investigações que apontam para um esquema sofisticado de desvio de dinheiro público em Cuiabá. A decisão é consequência direta da Operação Gorjeta, deflagrada nesta terça-feira (27), que apura o uso irregular de emendas parlamentares e a circulação ilícita de recursos envolvendo agentes públicos, empresários e entidades privadas.

 

Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, o parlamentar é apontado como principal articulador de um modelo de repasse de verbas que, após serem destinadas formalmente a projetos e instituições, retornariam de forma dissimulada ao responsável pela indicação dos recursos. As investigações indicam que o mecanismo operava por meio de contratos, prestação de serviços e intermediações que simulavam legalidade.

A ofensiva policial cumpriu 75 ordens judiciais autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. Entre as medidas estão mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo de dados eletrônicos e o afastamento de dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá, identificados como assessores próximos ao vereador. Mais de 40 agentes da Diretoria de Atividades Especiais participaram da ação.

A decisão judicial também alcançou o patrimônio dos investigados, com o bloqueio de mais de R$ 676 mil em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao caso, além do sequestro de veículos, uma embarcação, imóveis e outros bens. Para a Polícia Civil, as medidas buscam preservar valores de possível origem ilícita e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Seis investigados passaram a cumprir medidas cautelares, como restrição de contato entre os envolvidos, proibição de acesso a prédios públicos estratégicos, incluindo a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Esportes, retenção de passaportes e limitação de deslocamento fora da comarca.

As ordens judiciais também atingiram a administração municipal. A Prefeitura de Cuiabá e a Câmara ficaram proibidas de manter vínculos funcionais ou contratuais com qualquer investigado. Houve ainda determinação de suspensão das atividades do instituto apontado no esquema e a realização de auditorias em todos os termos de parceria firmados com a entidade, além da vedação de novos pagamentos ou contratos com empresas sob investigação.

Este não é o primeiro afastamento do vereador. No ano passado, Chico 2000 já havia sido retirado do mandato por cerca de quatro meses, retornando ao Legislativo em setembro. Antes disso, foi citado em outra investigação de corrupção relacionada à suspeita de pagamento de propina para influenciar a votação de um projeto de lei ligado a obras de grande porte na capital.

 

 

Câmara diz não ser alvo

Em nota oficial, a presidência da Câmara informou que colaborou com as diligências cumpridas no Legislativo e ressaltou que a instituição não figura como investigada no inquérito. A Casa afirmou que seguirá atendendo às determinações judiciais e cooperando com as autoridades, destacando que o procedimento tramita sob segredo de Justiça.

As investigações seguem em andamento e devem avançar com a análise do material apreendido e dos dados eletrônicos autorizados judicialmente.

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