30 de Outubro de 2026
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Política Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 12:27 - A | A

Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 12h:27 - A | A

DINHEIRO FORA DA FOLHA

Consultor jurídico do TCE-MT recebeu R$ 32,3 milhões fora da folha; núcleo soma R$ 58 milhões, aponta PF

Consultor jurídico-geral é o maior beneficiário individual dos pagamentos: R$ 32,3 milhões em 12 contas de nove bancos, e as câmeras o flagraram guardando dinheiro em uma mochila

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

Grhegory Paiva Pires Moreira Maia

O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, preso nesta quinta-feira (29) na Operação Tomada de Contas, é apontado pela investigação como o maior destinatário individual do dinheiro que saiu do tribunal fora da folha oficial. Segundo a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele recebeu R$ 32,3 milhões. Somados aos valores atribuídos a dois subordinados, também presos, o núcleo jurídico do TCE recebeu R$ 58,1 milhões.

Do total atribuído a Grhegory, R$ 31,6 milhões chegaram em 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras, várias delas ativas ao mesmo tempo. O patrimônio dele, segundo a investigação, passou de R$ 1,84 milhão em janeiro para R$ 7,61 milhões em outubro de 2025.

As imagens analisadas pela PF mostram o consultor em episódios de retirada de dinheiro. Em um deles, ele aparece guardando blocos de cédulas em uma mochila depois que uma funcionária da agência bancária preparou o numerário. Para o ministro, isso o coloca além da condição de simples beneficiário.

A investigação também aponta duas empresas criadas por ele. Uma é uma holding familiar administrada pela sogra e, antes, pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva, outro preso. A outra, a Maia Reining Horses, foi aberta em 22 de julho de 2025 para criação de cavalos e comércio de embriões e sêmen. Segundo a decisão, ela estaria sendo usada para esconder valores, já que esse mercado não tem preço de referência público.

Há ainda um conflito apontado pelo ministro. Como consultor jurídico-geral, Grhegory atuou no Supremo Tribunal Federal (STF) em processos que discutem justamente as verbas indenizatórias pagas a membros do Tribunal de Contas. “Apesar disso, exercia a consultoria jurídica da instituição e era o principal destinatário dos pagamentos investigados”, diz a decisão, que o descreve como “articulador jurídico e financeiro”.

O assistente jurídico comissionado Gustavo Fernandes da Silva, subordinado a Grhegory, teria recebido R$ 15,89 milhões, quase tudo em 144 ordens avulsas espalhadas por oito contas de sete bancos. As câmeras da agência o registraram em quatro ocasiões, entre setembro e outubro de 2025, inclusive sacando sem cartão e por QR Code. A PF só encontrou dois veículos em nome dele, o que, segundo a decisão, não corresponde aos quase R$ 16 milhões recebidos.

O assessor jurídico da Presidência, Felipe José Glinke, teria recebido R$ 9,93 milhões em 80 ordens avulsas. Em 23 de setembro de 2025, ao perceber uma pessoa perto dos caixas, ele fez sinal para que a operação fosse retardada e só voltou para pegar o dinheiro depois que ela saiu. Em 7 de outubro, segundo a investigação, assinou um documento aparentemente em branco, recebeu o numerário, devolveu parte à funcionária da agência, e o valor foi anotado em um caderno guardado na gaveta da atendente.

Para o ministro, os três integram o “núcleo operacional” do esquema e, soltos, poderiam continuar movimentando o dinheiro por aplicativo e pressionar as funcionárias do banco, que são testemunhas. As prisões preventivas não significam condenação. As defesas não haviam sido localizadas até a publicação desta reportagem.

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