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Política Terça-feira, 06 de Outubro de 2026, 11:27 - A | A

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MAIS HORAS DE TRABALHO

Contra fim da 6x1, Mauro diz que brasileiro deveria poder trabalhar até 16 horas

O senador eleito por Mato Grosso diz que leis trabalhistas rígidas atrapalham e que hoje as pessoas "conseguem se autotutelar"

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de MT

Eleito senador, Mauro se posiciona contra fim da 6x1 e defende modelo dos EUA

Eleito senador, Mauro se posiciona contra fim da 6x1 e defende modelo dos EUA

O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) se posicionou contra o fim da escala 6x1 e defendeu que o trabalhador brasileiro possa trabalhar "como se trabalha nos Estados Unidos", com jornadas de 10 a 16 horas por dia. Em entrevista nesta semana, dias depois de ser eleito senador por Mato Grosso com mais de 1,18 milhão de votos, o ex-governador afirmou que mudanças nas regras de trabalho "feitas sem muita profundidade" podem ser "muito ruins e graves para o país".

A declaração veio em resposta a uma pergunta sobre o debate do fim da escala 6x1 durante o segundo turno da eleição presidencial e se a proposta teria caráter eleitoreiro. Mauro não respondeu diretamente sobre o momento político e usou a imigração de brasileiros para defender sua posição. "Lá nos Estados Unidos nós temos milhares e milhares e centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia, 10 horas por dia, e ganham por isso. E ganham muito mais por isso, e têm uma qualidade de vida melhor", disse.

Na comparação com o Brasil, o senador eleito afirmou que a jornada estendida pode gerar punição ao empregador. "No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processada por trabalho escravo. Olha que absurdo!", declarou. Ele voltou ao exemplo dos brasileiros que deixam o país "fugindo" e "entrando clandestinamente", e repetiu: "é muito grave isso, gente".

Para Mauro, a legislação trabalhista precisa ser reformada "na amplitude do mundo moderno". O ex-governador argumentou que o acesso à informação mudou a relação entre trabalhadores e empresas. "As pessoas não são mais imbecis ou desinformadas como eram antigamente. Hoje, todo mundo tem informação na palma da mão, as pessoas conseguem se autotutelar", afirmou.

Ele disse que o Estado deve garantir "uma relação justa entre trabalho e capital", mas sem "leis rígidas para proteger o trabalhador". "Não precisa achar que o Estado tem que proteger todo mundo", afirmou. Segundo o senador eleito, o país precisa de mais liberdade econômica e da flexibilização de regras que, na avaliação dele, "não são produtivas e não são eficientes para o Brasil", para que os trabalhadores "produzam mais e ganhem mais".

Mauro Mendes foi eleito no domingo (4) com 1.187.352 votos, 33,21% dos válidos, e assume a vaga no Senado em fevereiro de 2027, ao lado de José Medeiros (PL), o outro eleito pelo estado. A entrevista foi interrompida quando o repórter começou a perguntar sobre medidas provisórias do governo federal na nova legislatura.

A proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de descanso, foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deixou a votação para depois do primeiro turno das eleições.

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