A secretária-adjunta de Orçamento e Finanças da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, Ivone Lúcia Rosset Rodrigues, deve ser a última pessoa ouvida pela CPI da Saúde da Assembleia Legislativa, segundo o presidente da comissão, deputado estadual Wilson Santos (PSD). Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas de Mato Grosso a multou em 11 UPFs ao julgar as contas de 2023 da pasta. O motivo de ela ser chamada, disse Wilson na quarta-feira (28), é a função que ocupa.
“A Yvonne é a secretária adjunta financeira. Cabia a ela fazer os pagamentos, os empenhos, o planejamento financeiro”, afirmou. Documento do TCE registra Ivone como ordenadora de despesas desde 14 de junho de 2023. O pedido de convocação foi anunciado por Wilson em 14 de outubro.
O acórdão de 2025 aplicou 22 UPFs ao então secretário Gilberto Figueiredo e multas a outras servidoras. Os conselheiros José Carlos Novelli e Guilherme Maluf ficaram vencidos ao votar pelo afastamento da multa ligada à irregularidade atribuída a Ivone. As contas do período em que Juliano Melo respondeu pela pasta em 2023 foram julgadas regulares.
Juliano, hoje secretário de Saúde, depôs como testemunha. Wilson disse que parte das respostas convenceu e outra manteve dúvidas porque ele foi adjunto e substituiu o titular só de forma esporádica. “Ele, na verdade, não foi o ordenador de despesas nesses quase oito anos”, afirmou.
Os pagamentos sem contrato regular são o eixo da investigação. Wilson falou em quase R$ 2 bilhões. Em decisão concluída em 23 de outubro, o TCE analisou R$ 1,94 bilhão referentes ao período de 2020 a 2024, sendo R$ 1,8 bilhão em pagamentos indenizatórios e R$ 94,8 milhões em dispensas de licitação. O tribunal deu 60 dias para a secretaria apresentar um plano de redução e previu multa a Gilberto.
Segundo o relator, Antonio Joaquim, esses pagamentos saíram de 29,98% das despesas analisadas em 2021 para 48,65% no período considerado de 2024. Wilson afirma que a secretaria manteve procedimentos mesmo com manifestações contrárias da Procuradoria-Geral do Estado e da Controladoria-Geral do Estado.
Juliano disse à CPI que parte desses gastos garante atendimentos como UTI e home care e que houve redução superior a 60% em 2026. Gilberto defende que os pagamentos podem ser necessários para manter o atendimento e nega acordos ilícitos com empresas.
Wilson também disse que pretende esclarecer “quem era a famosa mulher da SES”. O deputado não afirmou que Ivone seja essa pessoa. A expressão aparece em autos ligados à Operação Espelho, e Gilberto chamou seu uso de misoginia, citando as mais de 4 mil mulheres que trabalham na secretaria.
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