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Política Segunda-feira, 02 de Novembro de 2026, 14:02 - A | A

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ÚLTIMO DEPOIMENTO

CPI mira secretária multada pelo TCE para esclarecer R$ 1,9 bilhão em pagamentos da Saúde

Wilson Santos diz que Ivone Rosset deve ser a última convocada; tribunal aplicou multa de 11 UPFs nas contas de 2023 da secretaria

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução

Secretária adjunta Ivone Lúcia Rosset Rodrigues

Secretária adjunta Ivone Lúcia Rosset Rodrigues

A secretária-adjunta de Orçamento e Finanças da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, Ivone Lúcia Rosset Rodrigues, deve ser a última pessoa ouvida pela CPI da Saúde da Assembleia Legislativa, segundo o presidente da comissão, deputado estadual Wilson Santos (PSD). Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas de Mato Grosso a multou em 11 UPFs ao julgar as contas de 2023 da pasta. O motivo de ela ser chamada, disse Wilson na quarta-feira (28), é a função que ocupa.

“A Yvonne é a secretária adjunta financeira. Cabia a ela fazer os pagamentos, os empenhos, o planejamento financeiro”, afirmou. Documento do TCE registra Ivone como ordenadora de despesas desde 14 de junho de 2023. O pedido de convocação foi anunciado por Wilson em 14 de outubro.

O acórdão de 2025 aplicou 22 UPFs ao então secretário Gilberto Figueiredo e multas a outras servidoras. Os conselheiros José Carlos Novelli e Guilherme Maluf ficaram vencidos ao votar pelo afastamento da multa ligada à irregularidade atribuída a Ivone. As contas do período em que Juliano Melo respondeu pela pasta em 2023 foram julgadas regulares.

Juliano, hoje secretário de Saúde, depôs como testemunha. Wilson disse que parte das respostas convenceu e outra manteve dúvidas porque ele foi adjunto e substituiu o titular só de forma esporádica. “Ele, na verdade, não foi o ordenador de despesas nesses quase oito anos”, afirmou.

Os pagamentos sem contrato regular são o eixo da investigação. Wilson falou em quase R$ 2 bilhões. Em decisão concluída em 23 de outubro, o TCE analisou R$ 1,94 bilhão referentes ao período de 2020 a 2024, sendo R$ 1,8 bilhão em pagamentos indenizatórios e R$ 94,8 milhões em dispensas de licitação. O tribunal deu 60 dias para a secretaria apresentar um plano de redução e previu multa a Gilberto.

Segundo o relator, Antonio Joaquim, esses pagamentos saíram de 29,98% das despesas analisadas em 2021 para 48,65% no período considerado de 2024. Wilson afirma que a secretaria manteve procedimentos mesmo com manifestações contrárias da Procuradoria-Geral do Estado e da Controladoria-Geral do Estado.

Juliano disse à CPI que parte desses gastos garante atendimentos como UTI e home care e que houve redução superior a 60% em 2026. Gilberto defende que os pagamentos podem ser necessários para manter o atendimento e nega acordos ilícitos com empresas.

Wilson também disse que pretende esclarecer “quem era a famosa mulher da SES”. O deputado não afirmou que Ivone seja essa pessoa. A expressão aparece em autos ligados à Operação Espelho, e Gilberto chamou seu uso de misoginia, citando as mais de 4 mil mulheres que trabalham na secretaria.

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