O decreto que reorganizou a Casa Civil de Mato Grosso e colocou sob a pasta a agência reguladora estadual, a estatal de participações e o instituto de terras teve um efeito que vai além do organograma: ampliou o peso político do homem que comanda a secretaria, o empresário Mauro Carvalho, do PRD. Já apontado no meio político como o principal articulador do governo de Otaviano Pivetta e coordenador da pré-campanha do governador à reeleição, Carvalho passa a supervisionar administrativamente a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados, a Ager, a MT Participações e Projetos, a MT-Par, e o Instituto de Terras, o Intermat.
A soma de funções ajuda a explicar por que, nos bastidores, Carvalho vem sendo descrito como uma espécie de supersecretário. Ele reúne agora três frentes que raramente se concentram numa só pessoa: a articulação política do Executivo com a Assembleia e os demais Poderes, atribuição histórica da Casa Civil; a coordenação da pré-campanha de Pivetta rumo às eleições de outubro; e, com o novo decreto, a supervisão de entidades que lidam com concessões de serviços públicos, participações do estado em empresas e regularização fundiária. É uma combinação de poder administrativo e poder eleitoral num mesmo nome.
A Casa Civil sempre foi uma das pastas mais fortes de qualquer governo, porque funciona como filtro das decisões e avalia previamente todas as nomeações e exonerações da administração estadual. Com a reorganização, esse papel passa a conviver com a supervisão direta de uma agência reguladora, o que costuma gerar debate. Reguladoras como a Ager são pensadas para ter autonomia técnica em relação ao núcleo político do governo, justamente porque fiscalizam concessões de energia, transporte e saneamento. Aproximá-la da Casa Civil, pasta essencialmente política, é o tipo de movimento que a oposição tende a observar de perto.
O próprio decreto afirma que a mudança não aumenta despesas, já que remaneja e transforma cargos que já existiam, sem criar novos postos. Do ponto de vista administrativo, portanto, não há inchaço da máquina. O que muda é a concentração de comando: áreas que antes respondiam de forma mais dispersa passam a ter na Casa Civil um ponto de convergência, num momento em que o governo se organiza para a disputa eleitoral.
Mauro Carvalho é figura conhecida da política mato-grossense. Presidente estadual do PRD, empresário e suplente de senador, ele já havia chefiado a Casa Civil em gestões anteriores e retornou ao cargo neste ano, no lugar do deputado federal Fábio Garcia, que voltou à Câmara. Carvalho também mantém com Pivetta uma relação que ultrapassa a política: os dois são sócios em empreendimentos privados, informação já registrada pela imprensa e que costuma ser lembrada quando se discute a proximidade entre os dois. Essa dupla condição, de aliado político e parceiro de negócios, torna sua ascensão administrativa um dado relevante para entender o desenho de poder do atual governo.
A reorganização ocorre no ano em que Pivetta assumiu o governo em caráter definitivo, após a renúncia de Mauro Mendes, que disputa o Senado. Com a estrutura ajustada e as funções concentradas, o grupo governista chega à reta que antecede as convenções partidárias com a máquina administrativa alinhada ao projeto de continuidade, tendo Carvalho como uma das engrenagens que ligam a gestão à campanha.
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