Eleito senador por Mato Grosso, José Medeiros (PL) afirmou nesta segunda-feira (5) que sua primeira prioridade no novo mandato será impedir a continuidade de Davi Alcolumbre (União-AP) na Presidência do Senado e defender a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Vou, com unhas e dentes, lutar para que Davi Alcolumbre não continue presidente do Senado e que a gente possa imediatamente iniciar o processo de impeachment de vários, não é um só, não, de vários ministros do STF”, declarou Medeiros.
O senador eleito não informou quais integrantes do Supremo pretende atingir nem citou os fatos que poderiam embasar os pedidos. Ele afirmou que a medida seria necessária para “limpar essa mancha” na Corte e dar segurança jurídica aos investidores.
Medeiros conquistou a segunda vaga ao Senado com 977.777 votos, equivalentes a 27,35% dos votos válidos. Mauro Mendes (União) ficou em primeiro, com 1.187.352 votos, ou 33,21%. O parlamentar do PL retorna à Casa onde exerceu mandato entre 2015 e 2019, quando assumiu como suplente de Pedro Taques.
Alcolumbre ocupa a Presidência do Senado e do Congresso Nacional desde fevereiro de 2025. Ele foi eleito com 73 dos 81 votos para um mandato que termina em fevereiro de 2027.
Para Medeiros, a atual direção mantém o Senado “fechado” e omisso diante de decisões individuais tomadas por ministros do Supremo.
“Nós vamos reabrir o Congresso Nacional, que hoje está fechado. Tantas leis foram aprovadas e um ministro só simplesmente fulmina”, afirmou.
O senador eleito relacionou essa crítica a uma fotografia de campanha na qual apareceu com os olhos, os ouvidos e a boca cobertos. Segundo ele, a imagem representava o comportamento do Senado.
“O Senado está com o olho fechado, com o ouvido tampado e a boca fechada. Não nos ouve, não vê o que está acontecendo e não fala nada”, disse.
Medeiros também criticou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha. Sem citar uma decisão específica, afirmou que a Justiça Eleitoral “passou por cima” e “atropelou” o processo eleitoral.
Depois da mudança no comando do Senado e das críticas ao Judiciário, Medeiros apontou a segurança jurídica e a reforma tributária como prioridades. Para ele, as regras aprovadas pelo Congresso prejudicam Mato Grosso.
“Mato Grosso não sobrevive com ela”, declarou sobre a reforma.
O senador eleito também prometeu atuar contra o que chamou de “cipoal de normas” produzidas por organizações não governamentais e órgãos públicos. Segundo ele, essas regras impedem o desenvolvimento do Estado, que teria sua atividade econômica limitada apesar da contribuição para o país.
Medeiros voltou a defender a proibição da divulgação de pesquisas eleitorais. O parlamentar afirmou que os levantamentos são importantes para orientar as estratégias internas dos partidos, mas acusou sua publicação de tentar induzir a escolha dos eleitores.
“Pesquisa é muito importante para o balizamento, para a decisão estratégica de cada partido, mas pesquisas para divulgação são só para fazer inferno na vida dos eleitores”, afirmou.
O senador eleito é autor do Projeto de Lei nº 4.570/2024, que proíbe a realização e a divulgação de pesquisas produzidas para conhecimento público sobre eleições ou candidatos. A proposta está anexada a outro projeto sobre o mesmo tema e aguarda análise do plenário da Câmara dos Deputados.
Medeiros disse que pretende insistir na proposta depois de superar o desempenho apontado pelos levantamentos durante a campanha.
“O povo, mais uma vez, falou mais do que essas pesquisas”, declarou.
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