Ao se posicionar como principal nome do bolsonarismo para disputar o governo de Mato Grosso em 2026, o senador Wellington Fagundes (PL-MT) afirmou que o PL terá candidatura própria ao Palácio Paiaguás e que seu discurso será de contraste com a atual gestão, elogiando obras, mas afirmando que o Estado “tá deixando a desejar” na área social, em especial diante do avanço do feminicídio. A declaração foi feita no programa Roda de Entrevista, exibido em 19 de fevereiro de 2026.
Fagundes disse que o partido já trabalha com um desenho definido para 2026 e que a prioridade, por ora, é atravessar o período de prazos eleitorais sem romper internamente. “Até 4 de abril é que vai definir realmente quem pode ser candidato”, afirmou, antes de insistir que a legenda entrará no calendário eleitoral “unido, unido, unido num projeto só”.
No centro desse projeto, o senador colocou a estratégia nacional do PL e afirmou não ter dúvidas sobre o nome que pretende conduzir o campo conservador ao Planalto. “O Flávio Bolsonaro já está consolidado, não tem dúvida”, disse, ao sustentar que ele “vai pacificar e unificar o Brasil” com diálogo. No plano estadual, Fagundes reforçou que seguirá como pré-candidato ao governo, e citou o deputado federal José Medeiros como nome definido do partido para a disputa ao Senado.
O senador também buscou reduzir o peso da disputa pelo eleitorado de direita com o vice-governador Otaviano Pivetta, lembrando que, na sua leitura, as definições virão com a aproximação do calendário oficial. “Qualquer conjectura nesse momento é natural”, disse, ao defender que a convergência interna virá depois.
Prefeitos e resistências internas
Questionado sobre prefeitos que demonstram simpatia por Pivetta, como o de Cuiabá, Abilio Brunini, e a de Várzea Grande, Flávia Moretti, Fagundes disse que pretende superar ruídos por meio de conversas e entregas municipais. “Primeiro com diálogo, conversando com todos”, afirmou, ao se apresentar como “municipalista convicto” e alegar atuação permanente nos municípios com destinação de recursos.
No mesmo trecho, ele citou a relação política construída na última eleição e disse ter ajudado a consolidar a aliança com Mauro Mendes, inclusive quando, segundo ele, Bolsonaro resistia à composição. “Nós apoiamos o governo do Mauro”, afirmou, acrescentando que o apoio vale até o fim do mandato. “Se o Mauro resolver renunciar no dia 4 de abril, aí teremos uma outra conversa. Se o Mauro resolver continuar como governador até o final do ano, estaremos apoiando”, declarou.
Crítica social e promessa de “governo humano”
Ao avaliar a atual gestão, o senador afirmou que o governo tem avaliação positiva em obras, mas que os indicadores sociais exigem mudança de prioridade. “A gestão é bem avaliada na questão da gestão, obras, mas eu acho que nessa questão social tá deixando desejar”, disse, ao citar o feminicídio como um dos principais sinais de falha do Estado na prevenção e proteção.
Fagundes prometeu manter investimentos e concluir obras em andamento, mas disse que pretende imprimir outro eixo de atuação. “Obra inacabada é desperdício do recurso público”, afirmou, antes de resumir o que chama de mudança de foco: “A minha atenção vai ser com as pessoas, principalmente aqueles que mais precisam”.
Na área de segurança pública, o senador defendeu a convocação de concursados para reduzir déficit de efetivo e apontou a estrutura policial como central para enfrentar crimes e dar resposta a casos de violência contra mulheres. “Temos concurso aí pronto”, afirmou. Ao ser questionado sobre prevenção ao feminicídio, defendeu ampliação de estruturas especializadas. “Tem que montar delegacias especializadas. Isso é o mínimo que o governo de Mato Grosso, que é um governo rico, tem que fazer”, declarou.
Mulheres na política e vice na chapa
O senador voltou a defender maior presença feminina em espaços de poder e citou uma proposta para reservar vagas no Legislativo. “Não é 30% de candidaturas, é 30% das vagas do legislativo”, disse, ao afirmar que a sub-representação atual não se resolve apenas com regras de inscrição. Também defendeu que a chapa majoritária tenha uma mulher como vice, mas evitou antecipar convites e citou que o cenário ainda depende das acomodações partidárias.








