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Gaeco faz buscas na casa da mãe de Wanderley em operação por suspeita de compra de votos
O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis. São cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, e os alvos incluem 15 vereadores, 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A investigação apura suspeita de compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande realizada em 14 de maio, que reconduziu o presidente Wanderley Cerqueira (MDB) ao cargo por 12 votos a 11 e foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) uma semana depois. Os celulares dos alvos estão sendo apreendidos.
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Wanderley confirmou que policiais estiveram na casa da mãe dele, no bairro Ipase, para cumprir mandados. O presidente da Câmara também confirmou buscas na casa da vereadora Gisa Barros e na da diretora financeira da Casa, Lorineide Inhan, conhecida como Lori. Segundo informações obtidas pela reportagem, o vereador Rogerinho Dakar e o secretário legislativo da Câmara, Samir, também estão entre os alvos.
A operação mobiliza mais de 200 policiais. De acordo com o MPMT, a investigação apura suspeitas de atuação de organização criminosa, corrupção e obtenção de vantagens indevidas, com foco na eleição da Mesa Diretora. O nome da operação vem do latim e pode ser traduzido como “cadeira à venda” ou “cargo negociado”.
O coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Adriano Roberto Alves, abriu a investigação em maio, e o caso corre sob sigilo. Segundo a denúncia encaminhada ao Ministério Público, vereadores teriam ficado hospedados em uma chácara no distrito da Guia nos dias anteriores à votação, vigiados por seguranças armados, e dinheiro teria sido usado para garantir votos à chapa vencedora. O procedimento apura possíveis crimes de ameaça, extorsão, chantagem, corrupção ativa e cárcere privado.
A mesma apuração investiga um suposto acordo envolvendo a privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, que incluiria pagamento de vantagens indevidas.
Na eleição de maio, Wanderley derrotou o vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL). A votação teve aval do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que havia autorizado a antecipação do pleito para o biênio 2027/2028. Em 21 de maio, o ministro Dias Toffoli, do STF, atendeu a uma reclamação do vereador Bruno Rios (PL) e anulou o resultado. Para o ministro, a escolha da nova Mesa não poderia ocorrer fora do prazo fixado pela Corte, que só admite a votação a partir de outubro do ano anterior à posse.
Esse prazo foi aberto neste mês, mas a nova eleição ainda não tem data. Wanderley rejeitou um requerimento assinado por 15 dos 23 vereadores que pedia sessão extraordinária para a votação. Cinco parlamentares recorreram à Justiça com mandado de segurança: Lucas do Chapéu do Sol, Bruno Rios, Adilsinho (Republicanos), Jânio Calistro (União) e Charles da Educação (União). Em 7 de outubro, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, deu dez dias para o presidente da Câmara explicar por que não convocou a eleição, antes de decidir sobre o pedido de liminar.
A posse da Mesa Diretora eleita para 2027 e 2028 está prevista para janeiro. Até a publicação desta reportagem, o MPMT não havia divulgado a lista oficial de investigados, e os demais alvos não haviam se manifestado.
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