O deputado estadual Fábio Tardin, o Fabinho, classificou a atual crise política e administrativa em Várzea Grande como uma "guerra de ego" que prejudica diretamente os moradores da cidade. Em entrevista nesta quinta (19), ele afirmou que a população foi "enganada mais uma vez" e que, em vez de se unirem para resolver os graves problemas do município, os gestores estão focados em disputas pessoais. A crítica do parlamentar ocorre em meio ao acirramento do conflito entre a prefeita Flávia Moretti e a Câmara de Vereadores.
Segundo Fabinho, a falta de harmonia entre os poderes, embora independentes, impede o avanço de uma administração que atenda às expectativas da população. "Você tem que abrir o diálogo, formar ali a maioria para você ter uma tranquilidade para fazer uma administração que vai, sim, atender o que o povo espera", declarou. Ele apontou que problemas crônicos como a falta de água, o transporte público e os radares de trânsito permanecem sem solução, contrariando as promessas de campanha. "Se você pegar uma análise lá, não mudou nada. A União Transporte está lá do mesmo jeito, os radares estão lá do mesmo jeito, a água piorou", lamentou.
O deputado criticou duramente a postura da prefeita de atribuir a responsabilidade pela crise no Departamento de Água e Esgoto (DAE) ao seu vice. Em uma declaração anterior, Moretti afirmou não ter controle sobre o órgão, que seria comandado pelo vice-prefeito Tião da Zaeli (PL). "Infelizmente, sem nexo, né? Quem é prefeita de fato e de direito é ela. Ela que deveria estar mandando. Jogar a culpa no vice-prefeito? Isso é muito fácil, muito ruim", rebateu Fabinho.
Para o parlamentar, a solução definitiva para o abastecimento de água em Várzea Grande, um problema que ele discute há mais de sete anos, é a privatização do DAE. Ele argumenta que o orçamento do município é insuficiente para realizar os investimentos necessários. "A culpa da falta d'água é dos gestores que lá passaram e não fizeram os investimentos adequados. Isso já vem de longo tempo", afirmou, reforçando que a solução não virá "da noite para o dia", como foi prometido.
Fabinho também comentou a recente exoneração da esposa do vereador Samir , que, segundo ele, era uma peça importante na gestão do DAE e "ajudava a resolver, a minimizar os problemas da água". Apesar de considerar a demissão um ato político, ele destacou que a Câmara tem se mostrado colaborativa com a gestão, aprovando 56 dos 58 projetos enviados pelo Executivo, mas que isso não anula seu dever de fiscalizar. "A Câmara tem ajudado a prefeita. A Câmara tem ali ajudado, mas a Câmara também tem que ter a sua independência para fazer as suas fiscalizações", concluiu.







