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Política Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026, 16:37 - A | A

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026, 16h:37 - A | A

"Operação Espelho"

Júlio Campos diz que CPI da Saúde deve investigar sem blindagem

Júlio Campos diz que CPI da Saúde pode expor falhas da gestão na pandemia e defende apuração sem blindagem

Rojane Marta/Fatos de MT

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso se prepara para um período de turbulência política com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Secretaria de Estado de Saúde. A apuração, que mira possíveis irregularidades durante a pandemia de Covid-19 reveladas pela "Operação Espelho", foi aprovada pelo plenário e coloca o governo de Mauro Mendes (União) sob escrutínio, mesmo com sua ampla base de apoio. A análise do cenário foi feita pelo deputado estadual e vice-presidente da Casa, Júlio Campos (União), que, em entrevista à TV Assembleia, também revelou a preocupação do parlamento com graves denúncias feitas pelo ex-governador Pedro Taques (PSDB) sobre um suposto esquema de R$ 228 milhões na quitação de uma dívida do Estado com a empresa de telefonia Oi.

A decisão de levar adiante a investigação sobre a Saúde, segundo Júlio Campos, reflete a obrigação do Legislativo em responder às pressões da sociedade e apurar denúncias, independentemente de alianças políticas. Ele afirmou que a comissão vai apurar as denúncias “sem blindagem”.

"Não é porque nós somos da base do governo que a gente vai fazer uma vista grossa ou ficar de ouvido tapado com as denúncias que chegam. O parlamento tem essa função", afirmou o deputado.

A criação da CPI foi requerida pelo deputado Wilson Santos (PSD) e determinada pelo presidente da ALMT, deputado Max Russi (PSB), com base no artigo 373, parágrafos 1º e 2º, do Regimento Interno. Ela irá revisitar o período em que milhões de reais foram repassados a Mato Grosso para o combate à pandemia, e que, segundo investigações iniciais, podem não ter sido aplicados de forma correta.

O ambiente político tende a se tensionar ainda mais com outra frente de denúncias, desta vez trazidas a público pelo ex-governador Pedro Taques. Campos demonstrou preocupação com as acusações de que um escritório de advocacia teria adquirido uma dívida do Estado com a empresa Oi por R$ 80 milhões e recebido R$ 308 milhões, com o dinheiro supostamente sendo direcionado a pessoas ligadas ao governo. "As denúncias do Pedro Taques são muito graves, dizendo que esse dinheiro, ao invés de chegar na conta da Oi, lá do Rio de Janeiro, veio para a conta de pessoas aqui de Mato Grosso envolvidas com o governo. Essas denúncias não podem ser escondidas", declarou Campos, vendo a CPI como uma oportunidade para o governo esclarecer os fatos.

O deputado, que já foi governador, senador e prefeito, ponderou que, apesar do bom trabalho do governo em áreas como a infraestrutura rodoviária, com a duplicação da BR-163 e a pavimentação de milhares de quilômetros de rodovias estaduais, a gestão pode deixar um legado de obras inacabadas. A possível desincompatibilização do governador Mauro Mendes em abril para uma futura candidatura resultaria na não conclusão de projetos importantes como o Bus Rapid Transit (BRT), a recuperação da estrada da Chapada dos Guimarães (MT-251) e o Parque Novo Mato Grosso. "Se o governador Mauro Mendes realmente descompatibilizar o cargo, ele vai deixar muitas obras inacabadas. Isso é normal", avaliou.

Outro ponto citado foi a execução das emendas parlamentares. O deputado afirmou que, no ano passado, o pagamento dos recursos variou conforme o alinhamento político dos parlamentares com o Executivo. Segundo ele, deputados com posição governista teriam recebido integralmente os valores previstos, enquanto oposicionistas enfrentaram dificuldades. Ele citou o caso da deputada estadual Janaína Riva (MDB), que recorreu ao Judiciário para garantir o pagamento das emendas.

Ao comentar o cenário nacional, Júlio Campos criticou o que classificou como radicalização política e defendeu maior diálogo entre os poderes. Para ele, é necessário reequilibrar as atribuições institucionais e fortalecer mecanismos de cooperação entre Legislativo, Executivo e Judiciário. 

"Hoje o poder judiciário se assenhorou de querer ser legislativo. O poder judiciário se politizou muito, lamentavelmente", criticou, defendendo uma nova Constituição para reorganizar o Estado. Para os jovens que desejam ingressar na vida pública, ele aconselhou estudo e participação, reforçando que a política é um caminho de sacrifício e serviço.

 

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