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Política Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026, 09:20 - A | A

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CRÍTICAS ÀS URNAS

"No primeiro turno prestou, no segundo não”: Alcolumbre ironiza aliados de Flávio

Presidente do Senado afirmou que a mesma urna elegeu a bancada do partido do candidato derrotado e lamentou a vitória de quem fez campanha com ofensas.

Rojane Marta/Fatos de MT

Waldemir Barreto/Agência Senado

Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ironizou nesta quarta-feira (4), no plenário, quem contesta o resultado do segundo turno da eleição presidencial. Ele afirmou que a mesma urna eletrônica “prestou” no primeiro turno, quando elegeu 120 deputados federais do partido do candidato derrotado e mais de 20 senadores. O discurso ocorreu depois que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), acusou Alcolumbre de quebrar um acordo para discutir a redução da maioridade penal.

“O pior de tudo isso, senadora Damares Alves e senador Izalci, é que, no primeiro turno, a urna eletrônica prestou”, disse o presidente do Senado, dirigindo-se a Damares Alves (Republicanos-DF) e Izalci Lucas (PL-DF). Ele citou a vitória do adversário de Lula na primeira etapa, por mais de 2 milhões de votos, e seguiu na comparação: “Quando abriu no segundo turno, a urna não prestou mais. O resultado valeu para o primeiro turno”.

Alcolumbre não citou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nem o partido dele e disse não ter encontrado quem questionasse a urna desde o início. “Eu não achei um para dizer que estava errada desde o primeiro turno. Queria encontrar um para dizer que só deu errado no segundo turno”, afirmou. Mais adiante, comentou o aumento de votos entre as duas etapas: “Deu tudo errado, subiu 10 milhões de votos, 12 milhões de votos, sei lá o que aconteceu. Foi a tal da mesma urna eletrônica”.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Flávio terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos, 47,03% dos válidos, contra 53.879.538 de Lula, 45,16%. A diferença foi de 2.224.965 votos. No segundo turno, Lula venceu com 64.256.232 votos, 51,79%, e Flávio teve 59.826.041, 48,21%, uma diferença de 4.430.191 votos. De uma etapa para a outra, Lula somou cerca de 10,4 milhões de votos e Flávio, cerca de 3,7 milhões. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%.

O PL elegeu 121 deputados federais, um a mais do que o número citado por Alcolumbre, e terá a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027. No Senado, o partido conquistou 19 das 54 vagas em disputa e passará a ter 28 das 81 cadeiras.

Antes de falar das urnas, Alcolumbre criticou parlamentares que, segundo ele, chegaram ao mandato sem propostas para o país. “Não apresentaram ao Brasil que cuidariam da saúde dos brasileiros. Não apresentaram ao Brasil que viriam para Brasília, como deputados ou senadores, defender a democracia”, declarou. Ele disse que a campanha foi marcada por ofensas, agressões e ameaças diárias e lamentou o resultado: “Para minha tristeza e de milhões de pessoas, é que ganharam as eleições”.

O presidente do Senado afirmou ainda que a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) virou instrumento eleitoral. “Dava voto na eleição um parlamentar ofender o presidente do Senado Federal, que não abre impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas deu os votos”, disse. No mesmo pronunciamento, segundo a Agência Senado, ele classificou como “um drama” presidir o Congresso em um país dividido e afirmou que as redes sociais se tornaram um instrumento de ofensas, agressões e mentiras.

Flávio disse em 25 de outubro que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação da eleição. Ele questionou a prorrogação do horário de votação e afirmou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre. Em carta divulgada no dia 28, declarou-se “verdadeiro presidente eleito” e alegou fraude, sem apresentar provas. O TSE respondeu que qualquer pessoa pode baixar os arquivos das urnas e auditar o resultado. Dados do tribunal indicam cerca de 35 mil votos registrados depois das 17h. O União Brasil, partido de Alcolumbre, apoiou Flávio no segundo turno, mas informou que o processo eleitoral transcorreu com lisura.

A discussão no plenário começou depois que Alcolumbre retirou a redução da maioridade penal da pauta para aguardar a proposta em tramitação na Câmara. Portinho reprovou a decisão e afirmou que havia um acordo, feito na terça-feira (3), para tratar do tema nesta semana. O líder do PL negou ter ofendido Alcolumbre ou questionado a votação eletrônica.

Ao encerrar, o presidente do Senado cobrou mudança no tom dos debates. “Todos nós somos obrigados a trazer o debate para um senso razoável de país. Estou pedindo a Vossas Excelências que a gente possa usar esses microfones para pensar o que queremos para as próximas gerações”, disse. Alcolumbre busca a reeleição ao comando do Senado na votação de fevereiro de 2027, em disputa com o senador Rogério Marinho (PL-RN).

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