Os conselheiros José Carlos Novelli e Alisson Alencar foram afastados do cargo no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) nesta quinta-feira (29), em decorrência da Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, segundo fontes ouvidas pela reportagem. A operação investiga suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos a servidores do tribunal e levou à prisão de seis pessoas, entre elas o presidente da corte, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida.
Além de Sérgio Ricardo, foram presos o consultor jurídico-geral do TCE, Grhegory Paiva Pires Moreira, o servidor Adriangelo Barros Antunes, a secretária executiva Roseli Loss e os advogados Gustavo Fernandes da Silva e Felipe Jose Glinke. As seis prisões correspondem aos seis mandados de prisão preventiva expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com o presidente preso e os dois conselheiros afastados, o TCE perde de uma vez três dos sete integrantes do Pleno, o colegiado que julga as contas do governo do Estado, das prefeituras e das câmaras municipais de Mato Grosso.
Novelli é um dos conselheiros mais antigos do tribunal e presidiu a corte antes de Sérgio Ricardo, que o sucedeu em novembro de 2023. Os dois já tinham sido afastados juntos por medidas cautelares da 12ª fase da Operação Ararath e voltaram ao cargo em 2021, por decisão do STJ.
Alisson Alencar tem menos de um ano como conselheiro. Tomou posse em 23 de dezembro de 2025, na vaga aberta com a aposentadoria de Valter Albano. Foi escolhido pelo governador em exercício Otaviano Pivetta a partir de lista tríplice do Pleno e aprovado pela Assembleia Legislativa. Antes, fez carreira no Ministério Público de Contas, onde entrou como procurador em 2009 e foi procurador-geral em cinco mandatos.
A Operação Tomada de Contas mobilizou mais de 180 policiais federais, que cumpriram, além das prisões, 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Segundo a apuração, a PF fez buscas nas casas de seis dos sete conselheiros. O STJ autorizou ainda a quebra de sigilos e o sequestro de bens dos investigados.
De acordo com a PF, a investigação apura o uso da suspensão de contratos para pressionar fornecedores e tratamento diferenciado na liberação de pagamentos. Também estão sob suspeita divergências nos valores pagos a empresas, movimentações financeiras atípicas de servidores e saques frequentes em dinheiro vivo dentro das dependências do tribunal. Os fatos podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As prisões são preventivas e o afastamento é uma medida cautelar. Nenhuma das duas medidas significa condenação. Até a publicação desta reportagem, o TCE-MT não havia se manifestado, e as defesas dos presos e dos conselheiros afastados não haviam sido localizadas. O espaço segue aberto.
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