Reprodução

PF faz buscas nas casas de seis dos sete conselheiros do TCE-MT; presidente e assessor são presos
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, é um dos alvos da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), e foi preso, segundo informações divulgadas desde o início da manhã. O assessor dele, Adriangelo Barros Antunes, também foi preso. Segundo a apuração, a PF fez buscas nas casas de seis dos sete conselheiros do tribunal. A operação investiga suspeitas de irregularidades na gestão de contratos e em pagamentos a servidores do TCE. Mais de 180 policiais cumprem seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As buscas alcançaram quase todo o colegiado. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que apenas um integrante do Pleno do TCE não foi alvo de mandado. A Polícia Federal não divulgou oficialmente os nomes dos investigados nem as condutas atribuídas a cada um. O consultor jurídico-geral do tribunal, Grhegory Paiva, também aparece entre os alvos.
Segundo a PF, a suspensão de contratos administrativos teria sido usada para pressionar fornecedores do tribunal. A investigação também apura tratamento diferenciado na liberação de pagamentos, com empresas que receberiam antes ou em condições melhores que outras.
As suspeitas chegam ao dinheiro vivo. Os investigadores apontam divergências nos valores pagos a empresas, movimentações financeiras atípicas de servidores e saques frequentes em espécie. A PF apura se há relação entre os créditos que caíam nas contas desses servidores e as retiradas feitas dentro das dependências do próprio TCE.
Além das prisões e buscas, o STJ autorizou a quebra de sigilos e o sequestro de bens dos investigados. De acordo com a PF, os fatos podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A ordem partiu do STJ porque esse é o tribunal responsável por processar e julgar conselheiros de tribunais de contas por crimes comuns.
As prisões são preventivas, de natureza cautelar, e não significam condenação. Os valores investigados e o tamanho de um eventual prejuízo aos cofres públicos não foram divulgados.
Não é a primeira vez que Sérgio Ricardo é alvo de investigação. Ele ficou quase cinco anos afastado do TCE por medidas cautelares da 12ª fase da Operação Ararath e voltou ao cargo em 2021, por decisão do STJ. Assumiu a presidência do tribunal em novembro de 2023. Não há informação de que os dois casos estejam ligados.
O TCE-MT fiscaliza as contas do governo do Estado, das prefeituras e das câmaras municipais de Mato Grosso. Até a publicação desta reportagem, o tribunal não havia se manifestado sobre a operação, e as defesas dos presos não haviam sido localizadas. O espaço segue aberto.
Confira as últimas notícias do Fatos (CLIQUE AQUI)





